“Anote aí, não governam por um ano”, diz Caiado sobre Lula e Flávio Bolsonaro

Candidato à Presidência afirma que os dois não teriam governabilidade para conduzir o país e apresenta propostas para educação, segurança e política externa

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que nem Lula nem Flávio Bolsonaro teriam condições políticas de governar o país por um ano caso fossem eleitos. Para Caiado, a crise entre as instituições exigiria do próximo presidente capacidade de articulação que, na avaliação dele, os dois adversários não possuem.

A declaração foi dada durante sabatina da Novabrasil, ao comentar a situação do Supremo Tribunal Federal e os reflexos da crise institucional sobre o próximo governo.

“Veja bem, um dos dois governando o país, não governam por um ano. Anote aí. Não governam por um ano o país.”

Caiado argumentou que o próximo presidente precisará reconstruir pontes entre diferentes instituições e afirmou que Lula e Flávio não conseguiriam exercer esse papel.

“Eles não têm a condição de poder dar rumo ao país. Eles não têm como chamar o Congresso, chamar o Supremo, chamar a Procuradoria-Geral da República, o Tribunal de Contas e dizer: ‘olha, o rumo é esse’.”

Durante a resposta, o candidato fez acusações contra os dois adversários e relacionou a dificuldade de governabilidade ao histórico político de ambos. As declarações representam a avaliação de Caiado no contexto da disputa presidencial.

Educação precisa levar jovem ao mercado de trabalho

Ao falar sobre educação, Caiado defendeu uma aproximação maior entre a formação dos estudantes e as oportunidades econômicas de cada região do país.

O candidato citou políticas adotadas em Goiás e afirmou que escolas precisam oferecer laboratórios, tecnologia e ensino profissionalizante, além da formação tradicional.

“Você vai trabalhando o seu estado junto com todo o Sistema S para você formatar o jovem para ele não sair com diploma e não ter aonde aplicá-lo.”

Para Caiado, aumentar a escolaridade sem garantir formação adequada para o mercado de trabalho ajuda a explicar por que parte da população não consegue transformar anos adicionais de estudo em maior renda.

“A prioridade que eu vejo é independência financeira, social, ao mesmo tempo sair definitivamente do bolso da família.”

Ele também defendeu maior rigor na formação universitária e criticou cursos que, segundo sua avaliação, entregam diplomas sem preparar adequadamente os profissionais para exercer suas funções.

Combate ao narcotráfico

Na segurança pública, Caiado colocou o enfrentamento às organizações criminosas entre as prioridades de um eventual governo.

O candidato contestou dados apresentados durante a entrevista sobre a presença de laboratórios de cocaína em Goiás, mas reconheceu como um problema nacional o uso do território brasileiro como rota internacional da droga.

“O maior fluxo global de cocaína no mundo hoje passa pelo Brasil, sendo que nós não produzimos cocaína.”

Caiado afirmou que o avanço das facções criminosas exige uma atuação mais firme do governo federal, especialmente nas fronteiras e na Amazônia, e voltou a apresentar a experiência de Goiás como modelo para sua política nacional de segurança.

Terras raras entram na estratégia internacional

Na política externa, Caiado defendeu que o Brasil utilize suas reservas minerais e outros recursos naturais como instrumentos de negociação internacional.

Para ele, o país deveria buscar parceiros estrangeiros não apenas para explorar minerais críticos, mas principalmente para trazer tecnologia e etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva para dentro do território brasileiro.

“Eu quero tecnologia aqui.”

Caiado citou acordos envolvendo Japão e Estados Unidos e afirmou que pretende fortalecer o Itamaraty e recuperar uma diplomacia voltada à negociação econômica.

“Eu vou sentar na mesa de negociação resgatando a chancelaria brasileira, que é o Itamaraty, que sempre foi referência no mundo todo.”

Segundo o candidato, o objetivo é evitar que recursos minerais continuem deixando o país apenas como matéria-prima e estimular atividades de maior valor agregado, como a produção de componentes tecnológicos.

Ronaldo Caiado disputa a Presidência da República pelo PSD. A entrevista integra a série de sabatinas da Novabrasil com candidatos nas eleições de 2026.

A entrevista completa pode ser assistida no nosso canal do Youtube, onde também estão disponíveis as demais sabatinas da série.

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