Integrantes de facção teriam direcionado licitação de transporte público em Itanhaém

A investigação identificou um esquema para infiltrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de Itanhaém, no litoral de São Paulo.

Beatriz Rodrigues
Beatriz Rodrigues
Graduanda de jornalismo na Universidade Católica de Santos, com interesse em jornalismo investigativo político e direitos humanos. Apaixonada por aprender e contar histórias, acredito que o repórter é o eterno aprendiz, como diria Caco Barcellos.“A bright young reporter with a point of view” - Entrevista com o Vampiro.
Foto: Divulgação

A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que busca desmantelar núcleos de uma facção criminosa envolvida com lavagem de dinheiro e infiltração de integrantes na política.

A investigação identificou um esquema para infiltrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de Itanhaém, no litoral de São Paulo.

Conforme a Polícia Civil e o Ministério Público (MP), o grupo investigado pretendia direcionar licitações para assegurar a vitória de empresas ligadas aos envolvidos, inclusive por meio de interferências no andamento dos processos.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão mensagens trocadas por José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz. A investigação aponta a dupla como laranjas e indica que os criminosos tratavam ambos como sócios da Translider, empresa de Cubatão (SP).

Empresas de transporte

A investigação aponta que o empresário Paulo Siqueira Korek Farias geria a Translider. A Polícia Civil classifica o empresário como testa de ferro da facção.

O que diz a Prefeitura de Itanhaém

Em nota, a Prefeitura de Itanhaém informou que a Operação não a investiga e que nenhum servidor municipal foi alvo de mandados. O município afirmou que não conhecia as suspeitas e que não teve acesso ao conteúdo das conversas interceptadas pelas autoridades.

A administração defendeu a legalidade da licitação do transporte público concluída em novembro de 2021 com vigência de 15 anos. O processo seguiu a legislação e contou com o acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

A empresa Expresso Fênix venceu a licitação e transferiu a operação em 2024 para a Sancetur, que usa o nome Sou Transporte. A prefeitura declarou que não identificou irregularidades no contrato desde que a nova empresa assumiu os serviços na cidade.

O município informou que nenhuma das 12 empresas citadas pela imprensa participou do processo licitatório de 2021 ou de etapas posteriores. Por esse motivo, a gestão descartou abrir uma nova licitação para a concessão do transporte público neste momento.

Um novo concurso só ocorrerá em 2036 ou em 2051, caso o governo prorrogue o contrato atual ao final da vigência. A prefeitura concluiu afirmando que está à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e fornecer informações.

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