O “CONEMO (CONtrole EMOcional)”, plataforma que conta com um aplicativo de celular para auxiliar na redução de sintomas de ansiedade e depressão, passa a funcionar, a partir desta terça-feira (8), em todas as 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município de Indaiatuba, no interior de São Paulo.
O anúncio da expansão foi realizado pelo secretário de Saúde, Dr. Flávio Brito, na UBS 7, ao lado do Professor Paulo Rossi Menezes, diretor científico do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), e da Drª Andréa Bernardinetti Muller Haas, docente do curso de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX).



O programa, que é desenvolvido pelo CISM, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Indaiatuba e a UniMAX, é gratuito e destinado a pacientes, com 18 anos ou mais, que sejam cadastrados nas UBSs do município e atendam aos seguintes critérios:
- Possuir sintomas significativos de depressão e/ou ansiedade;
- Não possuir risco de suicídio moderado ou alto;
- Estar apto a ler as instruções do aplicativo através de um smartphone ou tablet.
Os critérios relacionados aos níveis de sintomas e risco de suicídio são identificados por meio de formulários disponíveis no aplicativo. Para participar, os usuários das UBSs devem se dirigir à unidade mais próxima para escanear o QRCode ou acessar o link do app.
Em seguida, é necessário preencher um formulário online e responder aos questionários de triagem iniciais. Caso seja elegível, o usuário receberá um convite para o download do app. Os usuários também poderão ser indicados pelos profissionais das UBSs para o uso da ferramenta.
A Dra. Heloísa Garcia Claro, pesquisadora líder do projeto pelo CISM e docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), celebra a expansão do serviço para toda a rede de atenção básica de Indaiatuba. “Mais pessoas poderão ter acesso a este tratamento psicológico de baixa intensidade, especialmente pacientes com sintomas leves a moderados desses dois transtornos”, destaca. “Não há nenhum outro projeto no Brasil, voltado a esta proposta, que seja tão completo quanto o CONEMO. A intervenção é baseada em sólidas evidências científicas e combina ciência, inovação e cuidado humanizado”, acrescenta.
O secretário de Saúde destaca que a ampliação representa mais uma possibilidade de cuidado próximo da população. “A saúde mental precisa ser cuidada de forma contínua e acessível. O CONEMO amplia as possibilidades de orientação e acompanhamento e oferece ao usuário uma ferramenta que pode ser utilizada no dia a dia, sempre em conjunto com o cuidado realizado pelas nossas equipes”, afirma Brito.
Além do aplicativo de smartphone, a plataforma conta com um painel administrativo (dashboard) utilizado pelos profissionais das unidades para acompanhamento dos usuários em uso do CONEMO. “Levamos as informações do painel para as discussões de caso dentro das nossas equipes. Projetamos o dashboard nas reuniões a fim de organizar os pacientes conforme a equipe de referência e planejar ações direcionadas a eles”, conta Cristiane J Rizzatti, coordenadora da UBS Campo Bonito.

Ciência de impacto
O CONEMO começou a ser desenvolvido ainda em 2014. Dois estudos foram realizados entre 2016 e 2018 – um com 880 pessoas em São Paulo (SP) e outro com 420 em Lima, no Peru. Seiscentos e dez participantes usaram o app durante seis semanas, duração da jornada de depressão oferecida pelo app. Ao final, os pesquisadores identificaram uma redução mais rápida nos sintomas de depressão entre os pacientes que usaram o app, comparado aos do grupo controle. Com o resultado positivo, o projeto avançou para a inclusão do transtorno de ansiedade e passou por novas etapas de estudo e melhoria da tecnologia.
Em agosto de 2024, um projeto-piloto foi iniciado em Indaiatuba. No início deste ano, o aplicativo alcançou a fase inicial de implementação, sendo oferecido a usuários de três UBSs da cidade – Jardim Brasil, João Pioli e Campo Bonito – e mais três em Jaguariúna, também no interior do Estado. Entre os resultados iniciais, os pesquisadores destacam o interesse dos usuários pela ferramenta e o rastreamento de sintomas na população. Esses resultados reforçam a importância dos cuidados de saúde mental e do envolvimento das equipes nesse monitoramento.
“A ampliação do CONEMO para todas as UBSs de Indaiatuba reforça o compromisso de unir a excelência do ensino superior às necessidades reais da nossa população. A parceria entre UniMAX, CISM e Secretaria Municipal de Saúde demonstra que, quando ciência, ensino e gestão pública caminham juntos, abrimos caminhos valiosos para a formação dos nossos futuros profissionais e para fortalecer a saúde da nossa cidade”, destaca a Drª Andréa Bernardinetti Muller Haas, docente do curso de Medicina da UniMAX e gestora da integração ensino/serviço frente aos projetos de pesquisa desenvolvidos por CISM, UniMAX e Prefeitura de Indaiatuba.
O CONEMO
O CONEMO é uma plataforma que une o rastreamento em saúde mental ao auxílio na redução dos sintomas de depressão e ansiedade, por meio de um aplicativo para smartphone com técnicas baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A ferramenta oferece jornadas interativas organizadas em sessões, com textos, áudios e vídeos que abordam estratégias como a prática de atividades prazerosas, o conhecimento acerca das emoções noramais, o manejo de sintomas ansiosos e orientações práticas para a promoção da saúde e do bem-estar. Para os profissionais de saúde, o CONEMO conta, ainda, com um painel de monitoramento que permite acompanhar o rastreamento dos casos e indicadores relacionados às unidades de saúde.
Recursos de tecnologia têm grande poder de alcance e podem ajudar a atingir de 70% a 80% das pessoas que estão em comunidades onde os serviços de saúde mental não chegam. Além de ampliar o acesso ao cuidado, espera-se que a intervenção digital contribua com as demandas das unidades básicas de saúde do município de Indaiatuba.
O projeto é conduzido por psicólogos, psiquiatras e pesquisadores com experiência em estudos científicos e intervenções do tipo. A equipe aborda o contexto de saúde e sociodemográfico dos pacientes, faz análises estatísticas e coleta dados qualitativos para avaliar a eficácia do tratamento. A evolução dos participantes é acompanhada constantemente.
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