A proteção de vidro instalada ao redor da estátua de Iemanjá, na orla do Cabo Branco, em João Pessoa, foi quebrada na madrugada deste sábado (19). Câmeras de videomonitoramento registraram uma mulher arremessando uma pedra contra a estrutura por volta das 3h25.
Segundo a Guarda Civil Municipal, a mulher aparece nas imagens usando uma camisa vermelha. Depois de atingir a proteção do monumento, ela deixa o local.
As imagens captadas pelo sistema Smart City e as informações reunidas durante o atendimento foram encaminhadas às autoridades responsáveis pela investigação.
Até a última atualização, não havia informação sobre a identificação da mulher nem sobre a motivação do ataque.
Vidro ficou danificado
O ataque atingiu a estrutura de vidro criada para proteger a imagem. Registros feitos depois da ocorrência mostram danos principalmente na parte frontal e em uma das laterais.
Não foi informado, até o momento, se a própria escultura sofreu algum dano.
A proteção havia sido instalada durante a revitalização da Praça de Iemanjá, entregue em setembro de 2025.
A reforma incluiu nova base para a imagem, estacionamento, bancos, ciclovia, iluminação, paisagismo e melhorias de acessibilidade. Na época da entrega, a Prefeitura informou investimento de aproximadamente R$ 655 mil.
Imagem já sofreu outros ataques
O monumento tem um histórico de vandalismo.
Em abril de 2013, a imagem teve a cabeça e as mãos arrancadas. Depois de restaurada, voltou a ser atacada em março de 2016, quando foi novamente decapitada.
A estátua permaneceu danificada por anos até passar por uma nova restauração em 2024. A requalificação da praça foi concluída no ano seguinte, e uma redoma de vidro passou a proteger a imagem.
Os episódios anteriores foram denunciados por integrantes de religiões de matriz africana como atos de intolerância religiosa.
No caso deste sábado, entretanto, a investigação ainda não informou se há elementos que permitam atribuir uma motivação religiosa ao vandalismo.
Iemanjá e a importância religiosa do espaço
Iemanjá é um orixá cultuado em religiões de matriz africana, entre elas o candomblé e a umbanda, e a praça na orla do Cabo Branco é utilizada também para manifestações religiosas.
Desde 2024, a Festa de Iemanjá é reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de João Pessoa, conforme a Lei Municipal nº 15.081.
A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de crença, o livre exercício dos cultos e a proteção aos locais de culto e às suas liturgias.
A legislação brasileira também pune a prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito por motivo religioso. A eventual aplicação dessas normas ao episódio deste sábado dependerá da apuração sobre as circunstâncias e a motivação do ataque.
Imagens podem ajudar na identificação
O sistema Smart City mantém câmeras em áreas estratégicas da capital, incluindo a Orla, com acompanhamento integrado a uma central de monitoramento da segurança municipal.
No caso da estátua, o registro da madrugada será utilizado pelas autoridades na tentativa de identificar a responsável e esclarecer as circunstâncias do dano.
Até a última atualização, não havia informação sobre prisão ou identificação de suspeitos.


