Paramount e Warner avançam em megafusão após acordo nos EUA

Acordo com 12 estados dos EUA prevê regras para filmes, TV e jornalismo e abre caminho para a união entre Paramount e Warner Bros. Discovery.

Saulo Astini
Saulo Astini
Radialista, cinegrafista, editor audiovisual, YouTube manager e estrategista digital, com experiência em distribuição digital, streaming, produção de conteúdo e jornalista. Participação em produções e transmissões ao vivo broadcast. Atuei na direção de imagem e fotografia de produções musicais. Formação técnica em Cinema, Fotografia, Administração e Gestão de Pessoas, além de certificações em Marketing Digital, Jornalismo Digital pela Reuters Digital Journalism, Literacia em Inteligência Artificial e gestão Google Business.

A fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery avançou nesta segunda-feira (21), após um acordo firmado entre a Paramount Skydance e uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos. O entendimento resolve uma disputa antitruste que ameaçava impedir a operação e estabelece uma série de compromissos para reduzir possíveis impactos sobre concorrência, consumidores, trabalhadores e produção audiovisual.

A transação, avaliada em aproximadamente US$ 110 bilhões, reúne empresas responsáveis por algumas das marcas mais conhecidas do entretenimento mundial. Dessa forma, o negócio poderá colocar sob uma mesma estrutura nomes como Paramount Pictures, CBS, Paramount+, Warner Bros, HBO e CNN.

No entanto, a conclusão ainda depende da aprovação judicial do acordo. A expectativa divulgada pelas empresas é que a operação seja concluída até o início de outubro.

O que muda com a fusão entre Paramount e Warner

A combinação criará um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento dos Estados Unidos, reunindo estúdios de cinema, emissoras de televisão, plataformas de streaming e dezenas de canais por assinatura.

Entre os ativos envolvidos estão CBS, CNN, HBO, Paramount+, Comedy Central, MTV, TBS, HGTV e Food Network, além dos tradicionais estúdios cinematográficos das duas companhias.

Além disso, a operação acontece em um momento de forte transformação do mercado audiovisual, marcado pelo crescimento do streaming e pela disputa por audiência entre grandes empresas de tecnologia e grupos tradicionais de comunicação.

Acordo estabelece novas regras para produção de filmes

Um dos principais pontos do acordo está relacionado à produção cinematográfica.

A empresa resultante da fusão deverá lançar pelo menos 30 filmes por ano nos dois primeiros anos. Posteriormente, a exigência sobe para 32 produções anuais durante os três anos seguintes.

Além disso, existe uma obrigação de ampliar os investimentos na produção cinematográfica doméstica em pelo menos US$ 1,5 bilhão ao longo de cinco anos. O acordo também estabelece espaço para filmes independentes e prevê mecanismos de proteção para o setor de exibição.

Caso as metas de produção não sejam cumpridas, estão previstas penalidades financeiras. Em determinadas situações, cada filme que deixar de ser lançado dentro da quantidade estabelecida poderá gerar uma penalidade de US$ 30 milhões.

Investimentos também atingem trabalhadores

O acordo prevê ainda a criação de um fundo de US$ 47,5 milhões, distribuído ao longo de cinco anos, para treinamento e desenvolvimento profissional de trabalhadores que possam ser afetados pela integração das empresas.

Ao mesmo tempo, a companhia deverá respeitar acordos coletivos existentes e manter negociações de boa-fé com sindicatos.

CBS News e CNN terão proteção editorial

Outro ponto relevante envolve as operações jornalísticas.

A companhia resultante deverá criar um News Editorial Independence Board, estrutura destinada a proteger a autonomia editorial e os padrões de independência jornalística da CBS News e da CNN.

A medida estabelece mecanismos específicos para preservar a produção jornalística das duas marcas durante o processo de integração empresarial.

Nesse sentido, o acordo também prevê acompanhamento independente para verificar o cumprimento das obrigações assumidas pela companhia.

Canais de TV terão negociações separadas

O acordo também interfere na forma como os canais de TV por assinatura serão negociados com operadoras. Durante cinco anos após a conclusão da operação, os canais pertencentes às antigas estruturas da Paramount e da Warner deverão negociar contratos de distribuição separadamente.

Dessa forma, a medida busca impedir que informações comerciais de uma empresa sejam utilizadas para fortalecer a posição da outra nas negociações com operadoras de TV paga e satélite.

Além disso, existem restrições sobre o uso e o compartilhamento de dados considerados confidenciais.

David Ellison ganha espaço no mercado de mídia

A operação é liderada pelo empresário David Ellison, CEO da Paramount Skydance, seu pai, Larry Ellison, cofundador da Oracle, também está diretamente relacionado ao financiamento da operação. A estrutura financeira do negócio prevê ainda participação de investidores estrangeiros do Oriente Médio.

Recentemente, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos autorizou investidores estrangeiros ligados a fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi a deterem participação próxima de 50% no capital da companhia resultante. Entretanto, a família Ellison e a RedBird deverão manter o controle das ações com direito a voto.

Fusão ainda depende de etapa judicial

Apesar do acordo com os estados, a operação ainda precisa passar por uma etapa judicial.

O entendimento encerra a disputa antitruste movida por 12 estados, mas sua implementação depende da aprovação do tribunal responsável pelo processo. O acordo também encerra uma ordem anterior que impedia o fechamento da transação.

Portanto, a fusão ainda não está oficialmente concluída. Entretanto, o acordo representa uma mudança importante no processo e remove um dos principais obstáculos legais à união das duas empresas.

Uma das maiores transformações de Hollywood

Se concluída, a operação reunirá sob o mesmo grupo um enorme catálogo de filmes, séries, canais de televisão e serviços de streaming. Ao mesmo tempo, a fusão deverá provocar mudanças na estrutura do mercado audiovisual, especialmente em áreas como produção cinematográfica, distribuição, televisão por assinatura e streaming. O impacto do negócio deverá ser acompanhado não apenas nos Estados Unidos, mas também nos mercados internacionais onde as plataformas e produções das duas empresas possuem presença.

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