Mais de 250 famílias teriam sido obrigadas a abandonar as próprias casas em Bayeux, na Grande João Pessoa, após ameaças e episódios de violência armada atribuídos a integrantes de uma organização criminosa. O esquema é um dos alvos de uma operação realizada nesta terça-feira (22) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba.
A Operação Feudo cumpre 21 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão na Região Metropolitana de João Pessoa. Até a última atualização disponível, não havia sido informado oficialmente quantas pessoas tinham sido presas.
Segundo a investigação, integrantes do grupo passavam a ocupar os imóveis depois da expulsão dos moradores. Bens deixados dentro das residências também teriam sido retirados e posteriormente vendidos ou apropriados pelos investigados.
O objetivo da operação é atingir tanto a atuação territorial quanto a estrutura financeira da organização e buscar a recuperação dos imóveis que, segundo a polícia, foram tomados das famílias.
Famílias teriam deixado casas após ameaças
As investigações apontam que moradores eram submetidos a ameaças e violência armada até deixarem suas residências.
Depois da saída das famílias, os imóveis passariam ao controle do grupo investigado. Objetos encontrados nas casas também seriam saqueados ou comercializados.
A polícia apura agora a participação de cada investigado e a forma como os imóveis teriam sido incorporados ao patrimônio ou colocados sob domínio da organização.
A dimensão do caso chama atenção: segundo as informações reunidas na investigação, mais de 250 famílias teriam sido atingidas pelo esquema.
Agiotagem também teria sido usada para tomar imóveis
Outra frente investigada envolve a agiotagem.
De acordo com a apuração policial, integrantes do grupo realizavam empréstimos ilegais e, diante das dívidas, haveria casos de tomada de imóveis dos devedores.
A operação investiga ainda suspeitas de extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As autoridades identificaram movimentações financeiras e transferências bancárias que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para movimentar ou ocultar recursos provenientes das atividades criminosas.
Operação tenta atingir estrutura financeira
Além das prisões, as buscas realizadas nesta terça pretendem reunir documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer como funcionava a organização.
Uma das prioridades é identificar o caminho percorrido pelo dinheiro e os bens que teriam sido adquiridos ou apropriados pelo grupo.
A investigação também busca reunir elementos para permitir a recuperação de imóveis atribuídos às famílias expulsas, além de individualizar a responsabilidade dos suspeitos.
Ação reúne Polícia Civil e Ministério Público
A Operação Feudo é conduzida pela Polícia Civil da Paraíba, por meio da 4ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (4ª DSPC), da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
A ação conta ainda com participação do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.
As investigações continuam e novos detalhes sobre prisões, apreensões e patrimônio localizado durante a operação podem ser divulgados ao longo desta terça-feira.


