Operação mira grupo suspeito de expulsar mais de 250 famílias de imóveis na Grande João Pessoa

Investigação aponta ameaças e violência armada para tomada de imóveis; ação também apura agiotagem, extorsão, tráfico e lavagem de dinheiro.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

Mais de 250 famílias teriam sido obrigadas a abandonar as próprias casas em Bayeux, na Grande João Pessoa, após ameaças e episódios de violência armada atribuídos a integrantes de uma organização criminosa. O esquema é um dos alvos de uma operação realizada nesta terça-feira (22) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba.

A Operação Feudo cumpre 21 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão na Região Metropolitana de João Pessoa. Até a última atualização disponível, não havia sido informado oficialmente quantas pessoas tinham sido presas.

Segundo a investigação, integrantes do grupo passavam a ocupar os imóveis depois da expulsão dos moradores. Bens deixados dentro das residências também teriam sido retirados e posteriormente vendidos ou apropriados pelos investigados.

O objetivo da operação é atingir tanto a atuação territorial quanto a estrutura financeira da organização e buscar a recuperação dos imóveis que, segundo a polícia, foram tomados das famílias.

Famílias teriam deixado casas após ameaças

As investigações apontam que moradores eram submetidos a ameaças e violência armada até deixarem suas residências.

Depois da saída das famílias, os imóveis passariam ao controle do grupo investigado. Objetos encontrados nas casas também seriam saqueados ou comercializados.

A polícia apura agora a participação de cada investigado e a forma como os imóveis teriam sido incorporados ao patrimônio ou colocados sob domínio da organização.

A dimensão do caso chama atenção: segundo as informações reunidas na investigação, mais de 250 famílias teriam sido atingidas pelo esquema.

Agiotagem também teria sido usada para tomar imóveis

Outra frente investigada envolve a agiotagem.

De acordo com a apuração policial, integrantes do grupo realizavam empréstimos ilegais e, diante das dívidas, haveria casos de tomada de imóveis dos devedores.

A operação investiga ainda suspeitas de extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

As autoridades identificaram movimentações financeiras e transferências bancárias que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para movimentar ou ocultar recursos provenientes das atividades criminosas.

Operação tenta atingir estrutura financeira

Além das prisões, as buscas realizadas nesta terça pretendem reunir documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer como funcionava a organização.

Uma das prioridades é identificar o caminho percorrido pelo dinheiro e os bens que teriam sido adquiridos ou apropriados pelo grupo.

A investigação também busca reunir elementos para permitir a recuperação de imóveis atribuídos às famílias expulsas, além de individualizar a responsabilidade dos suspeitos.

Ação reúne Polícia Civil e Ministério Público

A Operação Feudo é conduzida pela Polícia Civil da Paraíba, por meio da 4ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (4ª DSPC), da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

A ação conta ainda com participação do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba.

As investigações continuam e novos detalhes sobre prisões, apreensões e patrimônio localizado durante a operação podem ser divulgados ao longo desta terça-feira.

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