A produção de ovos de galinha na Paraíba chegou a 74,7 milhões de dúzias em 2024, o equivalente a quase 897 milhões de ovos, e consolidou uma trajetória de forte crescimento da atividade no estado. Em 2005, eram 25,6 milhões de dúzias. Em duas décadas, portanto, o volume praticamente triplicou.
O avanço coloca a Paraíba como o quinto maior produtor de ovos do Nordeste, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expansão vem acompanhada de aumento do número de galinhas poedeiras e de uma tentativa de profissionalização da gestão das propriedades. Neste mês, produtores paraibanos começaram a ter acesso a uma nova ferramenta digital voltada ao controle de produção, custos, estoque e formação do preço dos ovos.
O aplicativo Ninhus foi apresentado durante o 1º Encontro de Avicultores da Paraíba, realizado em Campina Grande, e deverá começar a ser utilizado ainda em setembro pelos produtores inscritos para participar da iniciativa.
Pedras de Fogo lidera produção de ovos
A produção paraibana está concentrada principalmente em cinco municípios.
Pedras de Fogo aparece na liderança, com 20,53 milhões de dúzias produzidas em 2024. Isso representa aproximadamente 246 milhões de ovos.
Na sequência aparecem:
Princesa Isabel: 14,50 milhões de dúzias
Mamanguape: 11,01 milhões de dúzias
Esperança: 6,43 milhões de dúzias
Cuité: 4,26 milhões de dúzias
Somados, os cinco municípios produziram cerca de 56,7 milhões de dúzias, o equivalente a aproximadamente três quartos de toda a produção paraibana registrada naquele ano.
Pedras de Fogo também concentra o maior número de galinhas poedeiras do estado, com aproximadamente 870,5 mil aves.
Princesa Isabel aparece depois, com cerca de 601,8 mil, seguida por Mamanguape, com 390,9 mil; Esperança, com 296,4 mil; e Cuité, com 185 mil.
Paraíba chegou a 4,2 milhões de galinhas
O crescimento dos ovos acompanha a ampliação do plantel.
A Paraíba tinha aproximadamente 4,2 milhões de galinhas destinadas principalmente à produção de ovos em 2024.
Em 2015, eram cerca de 2,2 milhões. Em menos de uma década, o número avançou aproximadamente 86%.
Considerando todo o conjunto de galináceos — que também inclui frangos, galos, frangas, pintos e pintainhas — o estado chegou a 14,5 milhões de aves em 2024.
Nesse ranking mais amplo, Pocinhos aparece com o maior efetivo, seguido por Pedras de Fogo, Guarabira, Mamanguape e Soledade.
Crescimento continua nas granjas de maior porte
Dados mais recentes mostram que a expansão não ficou restrita a 2024.
No quarto trimestre de 2025, a Paraíba registrou 2,41 milhões de poedeiras alojadas nas granjas acompanhadas pela Pesquisa da Produção de Ovos de Galinha (POG), do IBGE.
O número representa crescimento de 11,01% em relação ao mesmo período de 2024.
A produção dessas propriedades chegou a 14,52 milhões de dúzias entre outubro e dezembro, alta de 5,77% na comparação anual.
Os números da pesquisa trimestral não devem ser comparados diretamente com o total anual da Pesquisa da Pecuária Municipal.
A POG acompanha estabelecimentos com capacidade de alojamento de pelo menos 10 mil galinhas poedeiras ou matrizeiras. Já a PPM reúne a produção de todo o estado, incluindo propriedades menores.
Tecnologia chega às granjas
É justamente diante da expansão e do aumento da escala de produção que a gestão das granjas se torna uma questão econômica cada vez mais relevante.
O aplicativo Ninhus, desenvolvido pela empresa Campago, reúne em uma única plataforma informações que muitos produtores ainda controlam em cadernos ou planilhas separadas.
A ferramenta permite registrar, entre outros dados, coleta de ovos, consumo de ração, pesagem das aves, mortalidade, despesas, compras, receitas, vendas e investimentos.
Também é possível acompanhar cada lote de aves, o estoque de insumos e o fluxo financeiro da propriedade.
Um dos objetivos é permitir que o produtor saiba com maior precisão quanto custa produzir cada ovo e qual margem possui para negociar o preço de venda.
O aplicativo foi apresentado neste mês pelo Sebrae/PB durante encontro realizado em Campina Grande e começará a funcionar para produtores que se cadastraram para utilizar a ferramenta.
Até agora, não foi divulgado quantas granjas paraibanas aderiram ao sistema.
Custo da ração pesa na atividade
A digitalização ganha importância especialmente porque alimentação é um dos principais componentes do custo de produção da avicultura.
Milho e soja são matérias-primas fundamentais para as rações e têm peso direto sobre a rentabilidade das granjas.
Estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, aponta que o mercado nordestino de ovos vive uma combinação de crescimento da produção, aumento do consumo e maior tecnificação das propriedades.
O Nordeste produziu 10,83 bilhões de ovos em 2025, alta de 6,75% na comparação com o ano anterior, respondendo por cerca de 18% da produção brasileira.
O consumo também ajuda a sustentar o setor. A estimativa do Etene é de que cada brasileiro consuma, em média, 307 ovos em 2026, contra 288 em 2025.
Avicultura caipira também cresce
A expansão paraibana não está restrita às granjas comerciais de maior escala.
A Paraíba também é um dos polos de organização da avicultura caipira, especialmente entre agricultores familiares.
A Rota da Avicultura Caipira, criada pelo Governo Federal em 2024, tem um dos seus polos na região da Borborema e envolve dezenas de municípios paraibanos.
O estado já contava com cooperativas, associações e produtores organizados que comercializam ovos e frangos, inclusive por meio de programas de alimentação escolar e aquisição de alimentos.
A chegada de ferramentas de gestão ocorre, portanto, em um momento em que a cadeia produtiva tenta combinar aumento de escala, redução de custos, organização dos pequenos produtores e maior profissionalização das granjas.


