O confronto direto entre Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) durante o debate da TH+ SBT, nesta quarta-feira (23), teve uma característica diferente dos embates anteriores: em vez de concentrarem ataques um contra o outro, os dois candidatos direcionaram críticas ao governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP).
Durante a rodada, Efraim levantou acusações relacionadas ao caso do Hospital Padre Zé, à situação fiscal do Estado e a uma denúncia envolvendo o programa Opera Paraíba. Cícero, por sua vez, questionou contratações feitas pelo Governo da Paraíba e citou casos em municípios do interior.
Efraim cita caso do Hospital Padre Zé
Efraim iniciou sua participação mencionando o Hospital Padre Zé e as investigações relacionadas ao desvio de recursos destinados à instituição.
O senador associou o episódio à gestão estadual e citou investigações do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB).
“O atual governo da Paraíba, o governo do qual Lucas Ribeiro faz parte, é acusado pelo Gaeco, pelo Ministério Público, de desviar recursos”, afirmou.
Efraim também relacionou o caso ao programa Prato Cheio e criticou a permanência, no grupo político governista, de pessoas citadas em investigações.
O candidato usou ainda a situação das contas públicas para atacar a atual administração e afirmou que o Estado estaria comprometendo sua capacidade financeira na tentativa de manter a atual base política.
Denúncia envolvendo Opera Paraíba entra no debate
Outro ponto citado por Efraim foi uma denúncia apresentada à Justiça Eleitoral por um beneficiário do programa Opera Paraíba.
Segundo o candidato, o caso seria um exemplo de possível utilização da estrutura estadual para influenciar a decisão de eleitores.
“Tem gente na casa delas para querer obrigá-las a votar com o Estado”, declarou Efraim ao comentar a denúncia.
O candidato também acusou o governo de promover uma cooptação de prefeitos e lideranças políticas por meio da utilização de recursos e cargos públicos.
As declarações foram apresentadas por Efraim como acusações contra a atual gestão e dependem da apuração das autoridades responsáveis.
Cícero cita contratações no interior
Na sequência, Cícero Lucena também direcionou sua participação para críticas ao Governo do Estado.
O candidato afirmou nunca ter presenciado, ao longo de sua trajetória política, um processo de adesões e contratações como o que, segundo ele, ocorre atualmente na Paraíba.
“Eu tenho muita experiência em política. Deus me proporcionou ocupar vários cargos, mas eu nunca vi cooptação tão escancarada como nós estamos vendo nessa eleição”, afirmou.
Cícero citou como exemplo situações envolvendo lideranças políticas de Mari, Mogeiro e São João do Rio do Peixe.
Segundo ele, haveria casos em que recursos destinados a serviços públicos de saúde deixaram de ser repassados ao mesmo tempo em que pessoas ligadas a grupos políticos locais passaram a ocupar funções remuneradas na estrutura estadual.
Ao citar Mogeiro, Cícero afirmou que um convênio destinado a um hospital municipal teria sido interrompido enquanto contratações administrativas foram realizadas pelo Estado.
O candidato fez acusação semelhante ao mencionar São João do Rio do Peixe, onde afirmou que um convênio para o hospital municipal não teria sido renovado enquanto lideranças políticas locais teriam sido contratadas pela administração estadual.
As acusações apresentadas pelo candidato durante o debate não foram acompanhadas, naquele momento, da apresentação dos documentos ou contratos mencionados.
Cícero questiona contratos de familiar
Cícero também retomou um caso envolvendo uma parente da família de Lucas Ribeiro que já havia sido mencionado anteriormente no debate.
Segundo o candidato, a profissional teria dois contratos públicos e uma remuneração mensal superior ao valor médio recebido por profissionais da mesma área.
Cícero questionou ainda a carga horária relacionada aos vínculos e pediu que os órgãos de controle apurem a situação.
“A Justiça tem que apurar, porque esse é o maior escândalo da história da Paraíba”, afirmou.
Ao final, o candidato pediu que os eleitores avaliem eventuais relações entre lideranças políticas e cargos ocupados na estrutura estadual antes da votação.
“Na urna é você e Deus. Escolha o que é melhor para a Paraíba”, declarou.
Acusações dominaram confronto
Apesar de estarem frente a frente na rodada, Cícero e Efraim praticamente não direcionaram críticas um ao outro. Os dois utilizaram o espaço para questionar a administração estadual e fazer acusações contra o grupo político liderado por Lucas Ribeiro.
Lucas participa do debate ao lado de Cícero e Efraim. O encontro da TH+ SBT é realizado em João Pessoa e tem mediação do jornalista Mauro Tagliaferri.


