O Santos foi um dos representantes brasileiros na Copa Sul-Americana de 2026, um campeonato que chama a atenção por reunir clubes tradicionais do continente, muitos deles vivendo momentos longe do ideal. A campanha do Peixe terminou nas quartas de final, diante do Atlético-MG, de forma dramática: depois de vencer por 2 a 0 na Vila Belmiro, o time levou a virada em Belo Horizonte e caiu nos pênaltis.
Outro ponto notável é a imprevisibilidade da competição, em que favoritos caem com frequência e resultados que pareciam encaminhados mudam em 90 minutos. Até mesmo fazer palpites para os jogos da Sul-Americana pode ser uma tarefa bastante desafiadora: o River Plate, por exemplo, caiu nas oitavas diante do Independiente Santa Fe, nos pênaltis, em pleno Monumental. Nesta edição, fatores como altitude, calendário apertado e desfalques pesaram tanto quanto a camisa na hora de definir quem avançava.
Como o Santos tratou a Sul-Americana
Antes de qualquer análise sobre o desempenho do alvinegro praiano, é preciso entender o lugar que a competição ocupou na temporada. Na fase de grupos, o time dividiu forças com o Brasileirão e oscilou bastante; no mata-mata, a Sul-Americana passou a ser tratada como uma das grandes prioridades do ano.
O contexto ajuda a explicar essa gestão. Nos últimos anos, o Santos convive com dificuldades dentro e fora de campo, e a arrecadação menor que a de outros grandes do país limita a montagem do elenco – o que torna ainda mais significativa a chegada de reforços de peso na janela de agosto.
Como tem sido a temporada do time da Baixada Santista
Além de não estar exatamente entre os times mais fortes do país, a equipe santista lida com um problema comum a todos os clubes brasileiros: o calendário. Assim, para entender o desempenho do time na Sul-Americana, também é necessário levar em conta o que a equipe fez nas outras competições.
No Campeonato Paulista, a eliminação nas quartas de final para o Novorizontino, com um gol sofrido no último lance, já deu uma indicação das dificuldades que viriam ao longo do ano – e isso numa das poucas vezes em que Neymar esteve em campo desde o início com a camisa do time.
Além disso, há o Brasileirão, que é de fato a competição mais importante para a equipe: depois do rebaixamento em 2023, uma nova queda seria desastrosa. O risco ainda não pode ser descartado, embora o time venha dando sinais de recuperação nas últimas rodadas.
A outra competição do calendário foi a Copa do Brasil. Como os demais clubes da Série A, o Santos entrou na 5ª fase, passou por Coritiba e Remo e foi eliminado pelo Palmeiras nas quartas de final, depois de perder por 3 a 0 fora de casa e empatar sem gols na Vila Belmiro.
Apesar de ter produzido pouco contra o alviverde, é possível dizer que o time santista foi até onde era possível, dada a diferença entre os elencos e o peso do calendário. Sustentar três competições ao mesmo tempo é difícil até para as equipes mais qualificadas do país.
E a Sula?
Com o contexto da temporada em mente, fica mais fácil analisar a campanha na Sul-Americana. A fase de grupos foi bastante irregular: o Santos venceu apenas uma vez, por 3 a 0 contra o Deportivo Cuenca na última rodada, depois de perder para o mesmo adversário no Equador, e somou ainda quatro empates.
Isso foi suficiente para garantir o segundo lugar do grupo no saldo de gols, já que o time terminou com os mesmos sete pontos do San Lorenzo. A liderança ficou com o Deportivo Recoleta, do Paraguai, com oito pontos.
Com isso, o time precisou disputar os playoffs contra um terceiro colocado da Libertadores. O sorteio ajudou, e a equipe santista despachou a Universidad Central, da Venezuela, com vitórias por 4 a 1 fora de casa e 4 a 2 na Vila Belmiro.
Nas oitavas, o adversário foi o Macará, do Equador, que havia terminado a fase de grupos invicto e na liderança da chave. O Santos venceu por 2 a 1 de virada na Vila Belmiro e confirmou a vaga no jogo de volta, em Ambato.
Nas quartas, veio o único duelo entre brasileiros da fase, contra o Atlético-MG. Mesmo sem Neymar, afastado por lesão muscular, o Santos venceu por 2 a 0 na Vila Belmiro, com gols de Willian Arão e Christian Oliva, ambos com assistência de Gabigol, e levou boa vantagem para a Arena MRV.
– O que fica da campanha e o que esperar para o restante do ano
Em Belo Horizonte, porém, a vantagem não resistiu. O Galo abriu 3 a 1 ainda no primeiro tempo, Gabigol diminuiu na etapa final, mas Tomás Cuello marcou aos 47 minutos do segundo tempo e levou a decisão para os pênaltis, vencidos pelo Atlético-MG por 3 a 1.
Pesaram contra o Santos os desfalques: além de Neymar, os reforços Everton Cebolinha e Philippe Coutinho não puderam atuar, porque não foram inscritos a tempo na competição.
Sem o Peixe, a Sul-Americana segue com Atlético-MG x Montevideo City Torque – que eliminou o Cienciano, algoz do Botafogo com uma goleada de 6 a 1 em Cusco, a cerca de 3.360 metros de altitude – e Boca Juniors x Vasco nas semifinais. A final será disputada em jogo único, em Barranquilla, no dia 21 de novembro.
Para o Santos, resta agora o Brasileirão. Fora da Copa do Brasil e da Sul-Americana, o time pode concentrar forças na competição nacional, agora com Rodinei, Arthur Melo, Lima, Everton Cebolinha e Philippe Coutinho à disposição, com o objetivo de se afastar de vez da parte de baixo da tabela.


