O advogado e ex-juiz Marlon Reis, candidato a deputado federal por São Paulo pela Rede Sustentabilidade, defendeu a proibição completa das bets no Brasil e afirmou que apostas esportivas e jogos digitais deveriam deixar de ser permitidos no país.
A declaração foi dada em entrevista à Novabrasil, antes de o governo federal editar, na última sexta-feira (25), a medida provisória que proibiu as bets no país. A entrevista foi veiculada na manhã desta segunda-feira (28).
“A minha posição é muito simples e eu estou falando isso há muito tempo, não é na campanha. Eu defendo há muito tempo a simples proibição completa das bets sobre todas as suas formas, inclusive as apostas esportivas.”
Um dos responsáveis pela mobilização que deu origem à Lei da Ficha Limpa, Reis relacionou sua posição aos impactos que atribui às apostas sobre a saúde e o endividamento das famílias.
“Com relação às bets, para mim é só proibir.”
O candidato também defendeu maior proteção a crianças e adolescentes diante de mecanismos de jogos de azar presentes em plataformas digitais e games.
Mudanças no sistema eleitoral
Marlon Reis também defendeu uma reforma na maneira como deputados são eleitos. Para ele, os problemas do Congresso não se resumem aos parlamentares que ocupam as cadeiras.
“Nós precisamos mudar completamente o Congresso Nacional e não apenas as pessoas que o compõem. Nós precisamos mudar as regras do jogo.”
O candidato criticou o atual modelo de votação proporcional e defendeu um sistema em que o eleitor escolha primeiro o partido e, em um voto separado, indique o candidato daquela legenda.
“O sistema eleitoral brasileiro está comprometido na maneira como as pessoas votam. E eu não estou falando da urna eletrônica, porque esta é segura. Eu estou falando das regras do sistema eleitoral.”
Reis também criticou a concentração de poder nas presidências das Casas Legislativas e o individualismo entre parlamentares.
“Isso é monárquico. Isso é uma cultura imperial ultrapassada.
Supremo, o xerife da República
Outro ponto defendido pelo ex-juiz é uma reforma do Judiciário para retirar do Supremo Tribunal Federal o julgamento de ações penais em primeira instância.
“O Supremo precisa parar de ser o xerife da República. Não é papel do Supremo julgar ação penal”, explicou o candidato.
Segundo Reis, esses processos deveriam começar diante de magistrados de carreira, deixando ao STF a análise posterior de questões constitucionais.
“É preciso fazer uma reforma do Judiciário para retirar do Supremo Tribunal Federal o julgamento de ações penais, que têm que ser julgadas por magistrados técnicos”, avalia.
O candidato também defendeu a criação de regras de conflito de interesses aplicáveis aos três Poderes.
Segurança e cumprimento das penas
Na área da segurança pública, Reis afirmou que o país precisa investir mais em investigação e polícia científica. Para ele, apenas aumentar penas não é suficiente para reduzir a criminalidade.
“Nós já temos penas altas para muitos delitos. Agora, por que, com penas altas, e está sempre se falando de aumentar as penas e elas vêm aumentando, isso não representa uma redução da taxa de crime? Porque falta efetividade no cumprimento.”
Reis defendeu penas mais severas para crimes violentos, mas também afirmou que réus primários envolvidos em delitos sem violência devem ter possibilidade de uma segunda chance.
“Pessoa errou, errou pela primeira vez, não praticou violência contra a pessoa, eu aplicava uma pena branda ou então até dava uma segunda chance”, disse.
Marlon Reis participou da série de entrevistas da Novabrasil e do Portal TH+ com candidatos a deputado federal por São Paulo.
A íntegra da conversa está disponível no canal Jornalismo Novabrasil, no YouTube.


