A convivência com o Transtorno de Personalidade Borderline vai muito além das oscilações de humor; ela impacta a capacidade de manter um emprego e a estabilidade financeira. Se você ou alguém próximo recebeu o diagnóstico e busca saber se o CID F603 aposenta, este guia foi elaborado para esclarecer as regras atuais da Previdência Social.
A resposta curta é: sim, é possível, mas o diagnóstico por si só não garante o benefício. O que o INSS avalia é o impacto da condição na sua capacidade laboral. Abaixo, detalhamos o caminho para garantir sua proteção social.
O que é o CID F603 e seu impacto no ambiente de trabalho?
O CID F603 refere-se ao Transtorno de Personalidade com Instabilidade Emocional (tipo Borderline). Caracterizado por uma hipersensibilidade emocional e impulsividade, esse quadro clínico pode tornar o ambiente corporativo um cenário de crises severas.
Dificuldades em lidar com hierarquias, medo paralisante de rejeição e episódios de ansiedade aguda são barreiras reais. Quando o tratamento convencional (terapia e medicação) não é suficiente para manter o indivíduo funcional no trabalho, surgem os direitos previdenciários.
Borderline é considerado deficiência?
Não automaticamente. Para ser enquadrada como deficiência (PcD), a condição deve gerar barreiras de longo prazo que impeçam a participação plena na sociedade em igualdade de condições. Isso é verificado por meio de uma avaliação biopsicossocial.
Aposentadoria por Incapacidade Permanente e o CID F603
Antigamente chamada de aposentadoria por invalidez, ela é concedida quando a perícia médica constata que o segurado não tem condições de reabilitação para nenhuma outra função.
Requisitos para obter a aposentadoria:
- Incapacidade Total e Definitiva: Comprovar que o transtorno impede qualquer atividade produtiva.
- Qualidade de Segurado: Estar contribuindo ou no “período de graça”.
- Carência: Mínimo de 12 meses de contribuição (salvo casos de agravamento que dispensem o prazo por lei).
Outros Benefícios: Auxílio-Doença e BPC-LOAS
Nem sempre a aposentadoria é o primeiro passo. O INSS oferece alternativas dependendo da gravidade e do histórico contributivo:
- Auxílio por Incapacidade Temporária (Antigo Auxílio-Doença): Indicado quando o segurado precisa se afastar por um período determinado para estabilização do quadro.
- BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada): Destinado a quem nunca contribuiu ou está fora da qualidade de segurado, desde que comprove baixa renda familiar (até 1/4 do salário mínimo por pessoa) e impedimento de longo prazo.
O Desafio da Perícia Médica: Como se preparar?
A perícia para transtornos mentais é subjetiva e exige cautela. Como o “sofrimento mental” não aparece em exames de imagem, a documentação médica é sua maior aliada.
Check-list de Documentos Indispensáveis:
- Laudo Médico Atualizado: Com o CID F603 explícito e descrição detalhada das limitações.
- Receituários: Lista de medicamentos e dosagens.
- Relatório Psicológico: Descrição da evolução em terapia.
- Histórico de Internações: Se houver, são provas robustas de gravidade.
Dica de Especialista: No dia da perícia, relate como é o seu pior dia, e não como você está se sentindo naquele momento específico de estabilidade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem tem borderline pode trabalhar?
Sim. O diagnóstico não é uma sentença de incapacidade. Muitas pessoas levam carreiras de sucesso com o tratamento adequado. O benefício é exclusivo para quem perdeu essa capacidade funcional.
Qual a diferença entre CID F603 e Transtorno Bipolar no INSS?
O Transtorno Bipolar (CID F31) também pode aposentar. A diferença reside na natureza dos sintomas, mas o critério de concessão do INSS é o mesmo: a prova da incapacidade laboral.
O INSS negou meu pedido, e agora?
Negativas são comuns em casos de saúde mental. Você pode ingressar com um recurso administrativo ou, o caminho mais eficaz, buscar a via judicial para uma nova perícia com um médico especialista em psiquiatria.

