Uma brincadeira que machuca, uma tentativa de controlar as amizades, uma ameaça ou uma agressão. A violência contra a mulher nem sempre começa de forma evidente, e reconhecer os primeiros sinais pode ser fundamental para interromper um ciclo de abusos.
É justamente essa a proposta do Violentômetro, uma ferramenta desenvolvida pelo Instituto Politécnico Nacional (IPN), do México, para ajudar a população, sobretudo as mulheres, a identificar diferentes manifestações de violência presentes no dia a dia.
O instrumento foi elaborado pela área responsável pelas políticas de igualdade de gênero do instituto a partir de estudos sobre as relações entre jovens. Uma das pesquisas que deram origem ao material foi realizada em 2009 e ouviu mais de 14 mil estudantes do IPN.
Como funciona o Violentômetro?
O Violentômetro funciona como uma espécie de termômetro que reúne diferentes comportamentos violentos e mostra como eles podem representar níveis de alerta.
A ferramenta chama a atenção principalmente porque inclui atitudes que nem sempre são reconhecidas imediatamente como violência. Entre os exemplos estão brincadeiras que ferem, chantagens, mentiras, ciúmes, humilhações, intimidações, ameaças, tentativas de controle e proibições.
À medida que a escala avança, aparecem manifestações mais graves de violência, incluindo agressões físicas e situações que representam risco à integridade e à vida.
Isso não significa, porém, que toda situação de violência seguirá necessariamente uma sequência até chegar aos níveis mais graves. O próprio Instituto Politécnico Nacional ressalta que as manifestações apresentadas no Violentômetro não acontecem obrigatoriamente nessa ordem e podem surgir de maneira intercalada.
Violência não é apenas agressão física
Um dos principais objetivos do Violentômetro é justamente tornar visíveis comportamentos que podem ser confundidos com situações comuns de uma relação.
Ciúme excessivo, controle, humilhação e intimidação, por exemplo, podem ser sinais de violência mesmo quando não existe agressão física.
Por isso, a ferramenta pode contribuir para que uma pessoa reconheça mais cedo que está vivendo uma situação abusiva e procure orientação e ajuda.
Ferramenta também passou a abordar a violência digital
Com as mudanças na forma como as pessoas se relacionam, o Violentômetro também foi atualizado.
Em 2021, o Instituto Politécnico Nacional incorporou ao material manifestações de violência praticadas no ambiente digital, como perseguição nas redes sociais e divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento.
A atualização reforça uma característica importante da ferramenta: a violência pode assumir diferentes formas e nem sempre deixa marcas visíveis.
Mais do que medir a gravidade de uma situação, o Violentômetro funciona como um alerta. Ao apresentar comportamentos que vão desde manifestações muitas vezes naturalizadas até formas mais graves de agressão, a ferramenta ajuda a mostrar que reconhecer os primeiros sinais também é uma forma de prevenção.
Onde pedir ajuda
Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar um caso pode procurar a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Além da ligação para o 180, o atendimento também está disponível pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180. O canal oferece orientações, informa sobre os serviços da rede de atendimento e recebe denúncias de violência contra a mulher.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.



