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“Ela escolheu viver”: advogados alegam legítima defesa de mulher que matou o marido

Crime aconteceu no dia 21 de agosto deste ano, na residência do casal; Ministério Público sustenta tese de homicídio qualificado.

O caso de Vanessa Lemos Soares Scheel, acusada de matar o marido, ganhou um novo contorno com a divulgação de uma nota pública por sua defesa, que sustenta que a ré agiu em legítima defesa após mais de uma década de violência doméstica. O Ministério Público a acusa de homicídio qualificado, e no dia 29 de outubro de 2025 a Justiça decidirá se ela será pronunciada para julgamento pelo Tribunal do Júri de Araçatuba (SP).

Segundo os advogados Isabela Fioroto e César Franzói, Vanessa é, antes de tudo, uma sobrevivente de um longo ciclo de agressões físicas, morais e psicológicas. A defesa narra que, no dia do ocorrido, a ré teria sido ameaçada de morte pelo marido, Dirceu Scheel, 56, que teria engatilhado uma arma e a colocado sobre a mesa à sua frente.

“Naquele dia fatídico, após ouvir de seu marido que não veria o amanhecer e ao ver a arma engatilhada e deixada à sua frente, Vanessa reagiu movida pelo instinto de sobrevivência”, afirma a nota.

“Ela Escolheu Viver”

A tese da defesa se baseia na premissa de que a ação de Vanessa foi uma reação desesperada para salvar a própria vida. “Sob o domínio de violenta emoção e em legítima defesa, ela colocou fim a um ciclo de dor e humilhação”, argumentam os advogados.

Para eles, a intenção do marido era clara ao deixar a arma pronta para o disparo. “Quem engatilha uma arma e a coloca sobre a mesa diante da pessoa que ameaça, revela a intenção mais clara possível — a de matar. Vanessa apenas se defendeu”, pontua o documento.

A defesa afirma que o MP, ao sustentar a acusação de homicídio qualificado, desconsidera o histórico de violência sofrido por Vanessa, invertendo sua condição de vítima. “É lamentável constatar que, se o caso fosse uma denúncia de violência doméstica, a palavra de Vanessa teria plena validade — mas, por ter agido para salvar a própria vida, sua voz agora é questionada”, diz o texto.

Violência Doméstica

A nota dos advogados cita, ainda, dados da violência contra a mulher no Brasil, como os do Movimento Mulher 360 e a CNN Brasil. Eles apontam que 60% das mulheres não denunciam seus agressores, e as formas mais comuns de abuso são a violência psicológica (89%) e moral (77%).

“Vanessa representa essas mulheres — silenciadas, temerosas, e que muitas vezes só encontram proteção quando o perigo já bate à porta”, destaca a defesa.

Os advogados acreditam que Vanessa seja pronunciada nesta primeira fase do processo. “Não restam dúvidas de que Vanessa será pronunciada nesta primeira fase do processo e, ao final, será o Tribunal do Júri de Araçatuba — a voz da sociedade — quem decidirá. Quantas agressões, quantas ameaças e quantas humilhações uma mulher precisa suportar para ter o direito de se defender? Vanessa não escolheu matar. Ela escolheu viver”, finaliza a nota.

O Crime

O crime ocorreu no dia 21 de agosto. De acordo com o boletim de ocorrência que registrou o homicídio, durante a tarde, a mulher relatou que teria sido agredida e ameaçada pelo marido, .

Ainda segundo os registros policiais, Dirceu teria deixado um revólver calibre 38 sobre o balcão da casa. À noite, sentado em uma cadeira diante da residência, ele foi surpreendido quando a companheira pegou a arma e apontou para sua cabeça.

O disparo atingiu a região da têmpora da vítima, que morreu no local.

Ao ser detida, a mulher disse à polícia: “Não me agredia mais”, antes de efetuar o disparo que atingiu o companheiro. O revólver foi apreendido junto com cinco munições, sendo quatro intactas e uma deflagrada.

Vanessa está presa na Penitenciária de Tupi Paulista (SP).

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