RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio
Hélio Consolaro
Hélio Consolaro
Hélio Consolaro, professor, jornalista e escritor, 75 anos. Oito livros publicados. Membro da Academia Araçatubense de Letras, foi vereador e secretário municipal de Cultura por oito anos. Escreve o Blog do Consa.

Felicidade engorda?

Foto: Karelia Vásquez, El País

Tenho como felicidade a alegria interior, uma certa unidade entre o fora e o dentro, não viver em contradição. Se for isso, engorda, porque o feliz tem sua vida tranquila. 

Não estou me referindo a dinheiro, nem todos põem o vil metal como componente necessário para o nirvana ou estado de graça.

Sou um humanista, quase um socialista, mas não desprezo o dinheiro. Sem ele, uma miséria; com ele, também, pois a pessoa facilmente se torna escravo dele.

A felicidade é uma busca constante do ser humano, mas afirma o poeta que ela é inalcançável, pois sempre a chutamos mais para frente. Ela é um horizonte que constantemente se afasta do caminhante.

Já houve época em que obesidade era sinal de saúde, gente com vida boa e bem-humorada. Hoje, os gordos estão em baixa, sendo vítimas da gordofobia. 

A minha amiga Fátima Florentino acha que amar demais emagrece, porque o amor juvenil, por exemplo, é turbulento, irrequieto, tira o apetite. Segundo o padre Antônio Vieira, escritor brasileiro do Barroco, quem brinca com o amor, quase sempre sai chamuscado. 

A pessoa com personalidade romântica é uma magra constante, cadavérica, macilenta, pois nasceu para sofrer. Nenhuma pessoa real encaixa no seu modelo. Nunca encontrará o par ideal, perfeito, imaginado. 

Estou com a calça 50, entrando apertada. O meu desafio é fazer esse corpo esbelto entrar com certa folga. Por isso, minhas calças estão todas velhas. Se comprar 50, corro o risco de perdê-las; se passo para a 52, estou me dando por vencido e o corpo vai querer ocupar a folga.

Que saudade tenho dos tempos em que vivia duro, trabalhando muito. Eu era mais magro. Sou mesmo um mal-agradecido, devo a Deus pela velhice que me reservou.

Tudo é uma questão de opção. Fazer do ato de comer um sacrifício porque não deseja engordar. Tornando-se um magriça permanente, com possibilidade de viver mais anos. Ou ser um gordo feliz, comendo o que gosta no tanto que deseja, com possibilidade viver menos. Trata-se de uma escolha.    

A personagem Pollyana, de Eleanor H. Porter, é um exemplo de felicidade na literatura. Ela praticava o jogo do contente, apenas via o positivo, a coisa ruim se tornava boa, mudava a interpretação.

COMPARTILHAR:

Mais do Colunista

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.