A busca crescente por medicamentos emagrecedores tem gerado preocupação entre profissionais de saúde. Um caso recente em Araçatuba (SP) ilustra os perigos do uso indiscriminado: um adolescente de 19 anos ficou cinco dias internado na Santa Casa, parte deles na UTI, após aplicar uma injeção de Ozempic com dose elevada, sem o conhecimento da mãe.
O jovem desenvolveu cetoacidose diabética, condição grave que ocorre quando os níveis de açúcar (glicose) no sangue estão muito altos e a quantidade de insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose na corrente sanguínea, está baixa.
Além disso, seus níveis de potássio e outros minerais foram severamente alterados. O adolescente perdeu a consciência e precisou ser levado à UTI, embora não tenha chegado a entrar em coma.
A mãe contou que o adolescente utilizou o Ozempic, que ela enquanto diabética faz uso. “Ele pegou o medicamento e aplicou uma dose alta, porque não tinha noção da dosagem”, contou. Felizmente, o adolescente teve alta em perfeitas condições de saúde, apesar da gravidade de seu estado clínico quando foi hospitalizado.
Alertas de Especialistas
O médico endocrinologista Ísio Carvalho de Souza alerta que, quando utilizados de forma errada, medicamentos como Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida, e o Mounjaro (tirzepatida) podem causar sintomas graves que podem levar à morte.
Dentre os quadros estão complicações gastrointestinais graves, como vômitos frequentes que podem levar à desidratação e perda de peso; diarreia aguda grave que pode resultar em choques hipovolêmicos, condição médica crítica que ocorre quando há perda significativa de sangue ou fluido, resultando em insuficiência do fluxo sanguíneo para os órgãos vitais. Outro risco importante é o de insuficiência renal.
“No Brasil houve uma explosão de casos de diarreia e vômitos onde pacientes têm de recorrer ao atendimento de urgência para hidratação endovenosa. Não foi à toa que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) passou a exigir receita médica nas farmácias”, afirmou o especialista.
Preocupação da Comunidade Médica
Segundo Ísio Carvalho de Souza, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia vê com muita preocupação o uso indiscriminado deste medicamento, que tem suas indicações específicas e deve ser prescrito por profissionais da área. Souza explica que eles são “hormônios intestinais” que regulam diversas funções no corpo, incluindo a digestão e a absorção de nutrientes.
O médico também alerta sobre medicamentos sem procedência que são buscados no Paraguai e vendidos indiscriminadamente no mercado brasileiro, aumentando os riscos de intoxicação e efeitos adversos graves.
Medicamentos contrabandeados
As autoridades têm intensificado as apreensões de medicamentos emagrecedores contrabandeados na região. Em São José do Rio Preto, somente neste mês, foram apreendidas 888 ampolas de tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, que haviam sido adquiridas no Paraguai. As apreensões foram feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-153.
Em Araçatuba também houve apreensão recentemente. Na última sexta-feira (9), foram apreendidas 101 seringas e 15 ampolas de um medicamento à base de tirzepatida em um apartamento localizado na Rua Aviação.
Como agem no corpo
Os medicamentos emagrecedores agem simulando substâncias que o corpo produz após a ingestão de alimentos, aumentando a sensação de saciedade, o que leva a pessoa a comer menos e a perder peso. Eles são utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e, em algumas indicações, para controle de peso.
Estes medicamentos são controlados pela legislação sanitária brasileira, exigindo prescrição médica e documentação adequada para sua distribuição e venda. O uso sem orientação profissional representa risco significativo à saúde e pode resultar em complicações graves, como o caso do adolescente de Araçatuba.



