Uma mulher de 42 anos foi presa preventivamente após ser flagrada com uma cartela do medicamento abortivo Cytotec, cuja comercialização é proibida no Brasil. A prisão foi realizada pela Polícia Civil na última segunda-feira (3), em Birigui (SP), após denúncia anônima que indicava sua atuação na prática de abortos.
A Justiça decretou a prisão preventiva durante audiência de custódia no Plantão Judiciário de Araçatuba, na terça-feira (4). O juiz responsável considerou que a suspeita, residente em São Paulo, havia viajado de ônibus para Birigui com o objetivo de auxiliar em um aborto, conforme apontado na denúncia. A decisão também levou em conta indícios de que a investigada atuava com o apoio de outras pessoas, configurando um crime hediondo, cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão em caso de condenação.
A abordagem policial ocorreu na rodoviária de Birigui, onde a mulher inicialmente alegou que havia viajado para visitar parentes. Posteriormente, ela mudou a versão, afirmando que estava apenas de passagem e retornaria em breve para São Paulo. Durante a revista em sua bolsa, foi encontrada uma cartela de Cytotec, que a suspeita afirmou ser destinada ao tratamento de pressão arterial.
No entanto, ao analisar o celular da investigada, os policiais encontraram mensagens, áudios e imagens que indicavam a comercialização do medicamento e sua participação em atos de aborto. Entre as evidências estavam conversas sobre venda do Cytotec e orientações sobre o uso do remédio para interromper gestações, além de fotos de fetos abortados.
Durante o interrogatório, a mulher alegou que havia comprado o medicamento por suspeitar de uma gravidez e que pretendia utilizá-lo. Contudo, afirmou ter desistido após menstruar e optado por vender o remédio. A versão não convenceu as autoridades, que destacaram o risco de continuidade das práticas ilegais caso ela fosse liberada.
O caso segue em investigação, com a análise das informações coletadas e a busca por possíveis cúmplices. A prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública e a eficácia do processo judicial.



