A Polícia Militar estourou um cativeiro no final da tarde dessa segunda-feira (13) e resgatou um homem que seria julgado e executado pelo chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação ocorreu em um imóvel na Rua Fiorigi Bugarelli, no Bairro Mão Divina, em Araçatuba (SP). Um homem de 32 anos, que vigiava o local, foi preso em flagrante.
A operação teve início após a Força Tática receber uma denúncia anônima sobre um homem mantido em cárcere privado. Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais abordaram o homem que estava em frente à residência portando uma chaira (instrumento metálico usado para afiar facas), com cabo plástico e ponta enferrujada.
Dentro da casa, que aparentava estado de abandono e era frequentado por usuários de drogas, os policiais encontraram a vítima, de 36 anos, e uma testemunha.
Sequestro e acusações
De acordo com o relato da vítima aos policiais, ele foi sequestrado e agredido com socos e golpes de capacete por um casal que utilizava um veículo GM Astra de cor vermelha. Após as agressões, ele foi conduzido a pé, sob escolta do veículo, até o imóvel onde foi mantido sob vigilância.
O casal acusava Lucas de ter assassinado Adriana Ventura Teixeira, de 46 anos, cujo corpo foi encontrado no domingo (12), em uma residência no bairro São José. Segundo a denúncia e os relatos colhidos, a população suspeitava do envolvimento do homem no crime.
Resgate antes da execução
A vítima informou que o casal se ausentou do cativeiro com a intenção de buscar uma filmagem que comprovaria o suposto homicídio, além de uma arma de fogo, para retornar e executá-lo no “tribunal do crime”.
Enquanto isso, o homem de 32 anos foi encarregado de mantê-lo no local, proferindo ameaças e utilizando a chaira e uma chave de fenda para intimidação.
A testemunha encontrada na casa confirmou a versão da vítima, relatando que presenciou o momento em que o casal deixou a vítima no local e ouviu a promessa de que retornariam para a execução.
Prisão em flagrante
Diante dos fatos, foi dada voz de prisão em flagrante ao homem de 32 anos pelos crimes de sequestro e cárcere privado (art. 148 do Código Penal) e por promover ou integrar organização criminosa (Lei 12.850/13). O suspeito optou por exercer seu direito constitucional ao silêncio durante os questionamentos dos policiais.
As partes foram apresentadas no Plantão da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Araçatuba. O homem permaneceu preso à disposição da Justiça.
A Polícia Civil agora investiga o caso e busca identificar e localizar o casal envolvido no sequestro, bem como apurar as circunstâncias da morte de Adriana Ventura Teixeira.



