Mãe procura a polícia e denuncia agressão a filho autista de 3 anos em Emeb de Araçatuba

Segundo o boletim de ocorrência, diretora flagrou a professora agredindo o aluno nas câmeras de segurança; menino passou por exame no IML

Central de Polícia Judiciária de Araçatuba | Foto: Divulgação

Uma mãe procurou o Plantão da Polícia Civil de Araçatuba (SP), na noite dessa segunda-feira (17), para denunciar um caso de agressão física sofrido por seu filho dentro de uma escola municipal, localizada no bairro Jardim Planalto. De acordo com o registro policial, a vítima é uma criança de 3 anos e 3 meses, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não verbal. A suspeita das agressões é a professora da turma.

Conforme registrado no boletim de ocorrência, a mãe da criança, que trabalha como auxiliar administrativa, foi chamada à escola com urgência. Diante do chamado imprevisto e da falta de esclarecimentos sobre o motivo, ela decidiu colocar seu aparelho celular para gravar a conversa assim que chegou ao local.

Tapas no rosto

Ao chegar à escola, a mãe foi recebida pela diretora do estabelecimento. Segundo o depoimento, a gestora pediu desculpas e revelou ter recebido relatos de uma cuidadora sobre possíveis agressões praticadas pela professora da turma contra as crianças da sala de aula.

Ao passar a acompanhar as imagens das câmeras de monitoramento interno para verificar a denúncia, a diretora presenciou a professora agredindo o menino autista com tapas no rosto. De acordo com o relato feito à Polícia Civil, a diretora correu imediatamente até a sala e encontrou a criança chorando e com sangramento no nariz.

A mãe solicitou falar com a professora acusada, porém não foi autorizada naquele momento. Ela também não teve acesso às gravações. No entanto, ela conversou com a cuidadora que acompanhava a sala, a qual confirmou o relato das agressões e se colocou à disposição para testemunhar na polícia. A mãe constatou pessoalmente que o filho apresentava sangramento nasal.

Mudança de comportamento

Em suas declarações, a mãe enfatizou que, por ser não verbal, o garoto não consegue relatar verbalmente os acontecimentos da escola. Contudo, ela vinha observando comportamentos agressivos incomuns nele há algum tempo. Mesmo realizando diversas terapias, a criança vinha apresentando atitudes violentas, como dar “cascudos”.

Ainda no depoimento, a genitora recordou que, cerca de duas semanas antes do ocorrido, a professora havia informado que o garoto teria caído de um escorregador, fato que ela não teve como confirmar na ocasião.

Exame no IML

Muito abalada e chorando, a mãe retirou o filho da escola e buscou apoio na casa de sua irmã, que a orientou a registrar a ocorrência e acionar os órgãos competentes.

O fato foi registrado na Polícia Civil sob a natureza de lesão corporal (artigo 129 do Código Penal). Foi feita requisição para a realização de exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) na criança para comprovação das lesões sofridas.

Outro lado

A Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba enviou a seguinte nota sobre o caso:

Nota oficial — Secretaria Municipal de Educação

18/08/2026 – A Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba informa que tomou conhecimento, na segunda-feira (17), de uma denúncia envolvendo uma professora da EMEB Camila Tomashinsky e um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A ocorrência foi comunicada à direção da unidade escolar por uma cuidadora, que relatou ter presenciado uma situação de possível agressão contra o aluno em sala de aula. Diante da informação, a diretora verificou imediatamente as imagens do sistema de monitoramento da escola e constatou uma conduta incompatível com o ambiente escolar e com os protocolos de proteção aos estudantes.

A direção dirigiu-se imediatamente à sala de aula, interrompeu a situação e adotou as providências necessárias para garantir a segurança e a integridade do aluno. Na sequência, a mãe do estudante foi chamada à escola e informada sobre o ocorrido. A Secretaria Municipal de Educação também foi comunicada imediatamente.

Providências

A responsável pelo aluno acionou a Polícia Militar e, posteriormente, acompanhada pela diretora da unidade, compareceu à Delegacia de Polícia para registrar o Boletim de Ocorrência. As autoridades competentes poderão apurar os fatos na esfera criminal.

No âmbito administrativo, a Secretaria Municipal de Educação determinou o afastamento imediato da professora das atividades em sala de aula, como medida preventiva e de proteção aos estudantes. A situação também será objeto de apuração administrativa, com a análise das imagens e das demais informações disponíveis, assegurados o direito de defesa e o devido processo legal.

Ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso

A Secretaria ressalta que não compactua com qualquer forma de violência, agressão, constrangimento ou tratamento inadequado contra estudantes, especialmente crianças e adolescentes que necessitam de atenção e cuidados específicos. A proteção dos alunos e a garantia de um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso são princípios inegociáveis da rede municipal de ensino.

A Secretaria Municipal de Educação também reforçará, junto às equipes gestoras e aos profissionais da rede, os protocolos de identificação, comunicação e encaminhamento de situações que possam representar risco à integridade física ou emocional dos estudantes.

O caso continuará sendo acompanhado pela Secretaria Municipal de Educação, que prestará as informações necessárias aos órgãos responsáveis pela apuração e adotará todas as medidas administrativas cabíveis a partir dos resultados das investigações.

A prioridade da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação é assegurar a proteção do estudante, o apoio à família e a manutenção de um ambiente escolar seguro para todos.

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