A Polícia Civil apreendeu R$ 20.182,00 em dinheiro, 453 folhas de cheque preenchidas, três veículos de alto valor, quatro armas de fogo e sete aparelhos celulares durante a Operação “Última Parcela”, deflagrada nesta terça-feira (14) para desmantelar um esquema de agiotagem, lavagem de dinheiro e cobranças sob forte coação, em General Salgado (SP), região de Araçatuba (SP).
A ação ocorreu sob a coordenação do DEINTER-10 e da Delegacia Seccional de Araçatuba, mobilizando agentes da delegacia de polícia do município de General Salgado. No total, 17 policiais civis, divididos em 6 viaturas, saíram às ruas às 5h30 para cumprir quatro mandados de busca e apreensão.
Os alvos foram residências e endereços comerciais ligados aos suspeitos de gerenciar o sistema ilegal de empréstimos e ocultação de bens.
Juros Abusivos e Intimidação
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após uma das vítimas e testemunhas procurarem a delegacia. Sob a condição de anonimato, decorrente do pânico e do clima de hostilidade imposto pelos suspeitos, elas relataram a existência de uma estrutura financeira paralela que cobrava taxas de juros abusivas.
Caso o devedor não conseguisse honrar os pagamentos, o grupo iniciava uma rotina de cobranças violentas e ameaças, o que motivou a intervenção judicial e a expedição dos mandados pelo Poder Judiciário.
Frota de luxo e centenas de cheques
Embora a operação não tivesse como objetivo inicial prisões temporárias ou preventivas, o volume de provas materiais recolhidas nos endereços dos investigados surpreendeu as equipes. Entre os materiais apreendidos, destacam-se:
- R$ 20.182,00 em dinheiro em espécie;
- 453 folhas de cheques preenchidas, além de diversos outros talões;
- 3 veículos de alto valor (uma picape Chevrolet S10, um Jeep Renegade e um Chevrolet Tracker);
- 4 armas de fogo e munições de diversos calibres;
- 7 aparelhos celulares, anotações de contabilidade informal e joias.
Lavagem de dinheiro
Os automóveis e os cheques apreendidos dão indícios claros à linha de investigação de lavagem de dinheiro. Suspeita-se que bens de alto valor fossem adquiridos ou tomados como “garantia” forçada das dívidas para dissimular a origem do capital ilícito.
O delegado responsável pelo caso, Leandro Aparecido de Oliveira Teofilo, explicou que as investigações agora prosseguirão com a análise minuciosa do material apreendido. O objetivo é mapear o fluxo financeiro do grupo, individualizar a conduta de cada integrante e identificar outras possíveis vítimas que vinham sendo coagidas e ainda não registraram ocorrência por medo.
Os telefones e os documentos apreendidos passarão por perícia técnica.
Os envolvidos responderão em liberdade, a princípio, pelos crimes de usura pecuniária, lavagem de capitais, associação criminosa e, dependendo do andamento das perícias nas armas, posse ilegal de arma de fogo.


