Operação Névoa: Polícia Civil desmancha esquema de fraude que causou prejuízo de R$ 3 milhões

Investigação desvendou um sofisticado esquema de superfaturamento envolvendo o funcionário de uma empresa de implementos e fornecedoras

Foto: Divulgação

A Delegacia de Polícia de Valentim Gentil (SP), vinculada à Delegacia Seccional de Polícia de Votuporanga (DEINTER-5), deflagrou, nesta segunda-feira (6), a Operação Névoa, investigação que desvendou um sofisticado esquema de fraude empresarial responsável por causar prejuízo superior a R$ 3 milhões a uma empresa do setor de implementos agrícolas.

A operação foi deflagrada simultaneamente nos municípios de Mirassol, São José do Rio Preto e Matão, com o cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão e medidas de bloqueio patrimonial expedidas no curso da investigação.

O nome Operação Névoa faz alusão à estratégia usada pelos investigados para pulverizar e ocultar a movimentação dos recursos supostamente desviados, por meio de sucessivas transferências financeiras, utilização de pessoas físicas e jurídicas relacionadas, distribuição dos valores entre diferentes contas bancárias e aquisição de patrimônio, dificultando o rastreamento da origem dos recursos e sua vinculação ao esquema criminoso.

Superfaturamento

As investigações tiveram início após auditoria interna realizada pela empresa vítima identificar indícios de superfaturamento sistemático na aquisição de peças e insumos entre os anos de 2023 e 2025. A partir dessas informações, policiais civis desenvolveram investigação baseada em inteligência policial, análise documental, cruzamento de dados bancários, fiscais, empresariais e patrimoniais, além de diligências de campo.

Os elementos reunidos apontaram a existência de um suposto esquema estruturado entre um funcionário da empresa e empresas fornecedoras, por meio do qual produtos eram comercializados com valores que, em determinados casos, ultrapassavam 1.200% do preço praticado no mercado, ocasionando prejuízo estimado em aproximadamente R$ 3.073.506,81.

Com autorização judicial, a Polícia Civil analisou dados bancários e fiscais dos investigados, identificando movimentações financeiras relevantes, incluindo transferências entre os envolvidos. A investigação também revelou evolução patrimonial incompatível com a renda declarada dos investigados durante o período dos fatos, com aquisição e manutenção de bens que passaram a integrar o levantamento patrimonial realizado pela equipe policial.

Durante as diligências, foram localizados diversos bens passíveis de bloqueio judicial, entre eles imóveis situados nos municípios de Valentim Gentil, São José do Rio Preto e Mirassol, além de veículos registrados em nome dos investigados, incluindo um Chevrolet Cruze LTZ, um Volkswagen Nivus, uma Fiat Toro Volcano Turbo AT6 e duas motocicletas.

R$ 60 mil em dinheiro

No cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais civis também apreenderam diversos aparelhos de telefone celular, notebook e a quantia de R$ 60 mil em dinheiro localizada na residência de um dos investigados, no município de Mirassol.

Com base nas provas produzidas, a Autoridade Policial representou ao Poder Judiciário pela expedição de mandados de busca e apreensão e pelo bloqueio patrimonial dos investigados.

Bloqueio de imóveis, veículos e contas bancárias

As medidas cautelares foram integralmente deferidas pelo Poder Judiciário, resultando no bloqueio de imóveis, veículos, contas bancárias, aplicações financeiras e demais ativos vinculados aos investigados, medida destinada a impedir eventual dilapidação patrimonial e assegurar o ressarcimento dos prejuízos suportados pela empresa vítima.

As investigações prosseguem para a conclusão das diligências complementares e adoção das providências legais cabíveis.

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