O prefeito de Araçatuba (SP), Lucas Zanatta (PL), registrou um boletim de ocorrência contra o vereador Luís Boatto (Solidariedade) por calúnia e difamação. O caso, que teve origem em um discurso na tribuna da Câmara Municipal, em dezembro do ano passado, chegou à Polícia Civil na última semana.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no dia 6 de fevereiro, o prefeito alega que, durante a sessão legislativa de 3 de dezembro de 2025, o vereador Boatto utilizou a tribuna para fazer declarações que considera ofensivas à sua honra.
No documento, Zanatta afirma que o parlamentar o chamou de “mentiroso” e o acusou de “falcatrua”. O prefeito reproduziu, no BO, os seguintes dizeres atribuídos ao vereador: “Vamos parar de ser mentiroso igual ao Lucas Zanatta, ele mente na cara dura e vocês não falam nada!”
O boletim de ocorrência transcreve outras frases atribuídas a Boatto: “Se posicionar quando o prédio dos procuradores, que ele fez aquela falcatrua, que nós vamos revelar daqui a pouco! Mandou autorizar a compra, o empenho de R$ 540 mil a mais, para privilegiar amigo!”
À Polícia Civil, Zanatta disse que os dizeres do vereador fogem da esfera da imunidade parlamentar, “tendo em vista que não tem nexo causal entre a função de vereador e o que ele considera ofensas dirigidas a ele diretamente. Para o prefeito, as palavras ditas na Tribuna da Câmara ofenderam a sua honra.
Segundo o boletim de ocorrência, Zanatta apresentou dois vídeos em que Boatto faz o que ele considera ofensas verbais contra a sua pessoa, e que por isso, decidiu representar criminalmente contra o vereador do Solidariedade por calúnia e difamação.
A defesa do vereador
Em depoimento prestado à Polícia Civil nesta sexta-feira (13), o vereador Luís Boatto afirmou que suas críticas foram feitas no exercício de sua função parlamentar e direcionadas às ações do chefe do Executivo, não à pessoa de Lucas Zanatta.
Boatto confirmou à Polícia que chamou o prefeito de mentiroso, porque, segundo ele, Zanatta havia feito uma promessa pública, com a divulgação de um vídeo no qual se comprometia a repassar R$ 2 milhões à Santa Casa de Araçatuba. “Realmente, o chamei de mentiroso, pois a promessa foi propagada e nenhuma verba foi repassada”, afirmou.
Sobre o termo “falcatrua”, também utilizado em seu discurso durante a sessão de 3 de dezembro de 2025, Boatto disse que o termo foi usado para se referir a supostas irregularidades no contrato de locação do prédio onde funciona a Procuradoria Municipal.
O vereador alega que, após apresentar um requerimento formal, constatou “defeitos estruturais” no imóvel, ausência de acessibilidade e de laudo do Corpo de Bombeiros. Mencionou, ainda, que um dos procuradores do município é deficiente visual, o que evidencia a inadequação do local. Para o vereador, a locação do prédio nessas condições prejudicou a administração pública.
No depoimento prestado à Polícia Civil, Boatto afirmou que não possui nenhuma desavença pessoal com o prefeito e que todas as suas críticas foram feitas dentro de um “debate institucional, com críticas fundamentadas e contextualizadas”.
Boatto também apresentou à Polícia Civil o vídeo de seu discurso feito durante a sessão de 3 de dezembro.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil.


