Summit SSOil 2026 debate futuro da energia, refino regional e segurança no abastecimento de combustíveis

Evento reuniu especialistas, empresários e representantes do poder público para discutir os desafios do setor energético, a dependência brasileira de combustíveis importados e o papel das refinarias regionais

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O futuro da energia e o papel das refinarias regionais estiveram no centro dos debates do Summit SSOil 2026, realizado no último dia 16, em Birigui. O encontro reuniu especialistas, empresários e representantes do poder público para discutir os desafios do abastecimento de combustíveis no Brasil e as perspectivas para o desenvolvimento do setor energético nos próximos anos.

Ao longo do evento, os participantes debateram temas como o aumento da demanda global por energia, a necessidade de ampliar a capacidade de refino no país e a importância de diferentes matrizes energéticas atuarem de forma complementar para garantir segurança energética e desenvolvimento econômico.

Energia complementar, não concorrente

Entre os palestrantes esteve Ricardo Moura Jr., CEO da SSOil Energy, refinaria privada com sede em Coroados, na região noroeste do Estado de São Paulo. Para ele, o debate sobre o futuro da energia passa pela compreensão de que diferentes fontes energéticas não competem entre si.

“O refino de petróleo não é concorrente de outras fontes de energia. Na verdade, as fontes são complementares. O refino privado e as pequenas e médias unidades de refino trazem um crescimento mais rápido do processo de refino do país. Hoje, o Brasil importa cerca de 30% de todo o diesel que consome de países como Rússia, Estados Unidos e países da África. Com isso, perdemos divisas, podendo estar refinando esse produto no Brasil”, afirmou.

Segundo Moura, ampliar a capacidade de refino nacional é uma estratégia que contribui para reduzir a dependência externa e fortalecer a cadeia produtiva do setor.

Apoio do Estado à diversificação energética

A diversificação da matriz energética também foi apontada como uma prioridade pelo Governo do Estado de São Paulo. A avaliação é de que a ampliação das fontes de energia e o fortalecimento da infraestrutura do setor são fundamentais para manter a competitividade econômica paulista.

De acordo com Patrícia Bansi, diretora regional da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, o Estado tem buscado apoiar iniciativas voltadas à expansão da cadeia energética.

“A Secretaria busca o protagonismo do Estado de São Paulo para essa diversificação. O Estado é parceiro das refinarias e das prefeituras e tudo o que é demandado em termos de capacitação e investimento externo o Estado está aberto para trazer e ofertar para os territórios. Então tudo o que for necessário para que a cadeia expanda, o Estado é parceiro”, destacou.

Refinarias privadas e concorrência no mercado

Outro tema que ganhou destaque durante o Summit SSOil 2026 foi a importância das refinarias regionais para ampliar a concorrência e fortalecer o abastecimento de combustíveis.

O assunto foi abordado por Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, associação que representa refinarias privadas de petróleo e atua na defesa de mais investimentos e competitividade no setor.

Segundo ele, a presença de refinarias privadas é essencial para estimular a concorrência e beneficiar diretamente os consumidores.

“A importância das refinarias privadas é que elas trazem concorrência. Tudo o que o consumidor quer é combustível cada vez mais barato. Sem refinaria privada, sem concorrência no mercado, isso é impossível de acontecer. Então a importância de a gente preservar nossas refinarias privadas e termos cada vez mais investimentos em novas capacidades de refino é que a gente terá mais concorrência e, por consequência, menor preço para os consumidores”, afirmou.

Dependência do diesel ainda preocupa

As discussões também chamaram atenção para um desafio que o Brasil ainda enfrenta: a dependência da importação de combustíveis, especialmente do diesel.

Para José Mauro Coelho, ex-presidente da Petrobras, o cenário atual não aponta risco imediato de desabastecimento, mas exige atenção e planejamento de longo prazo.

“Hoje o Brasil tem uma dependência externa de diesel na ordem de 25%, ou seja, algo em torno de um quarto da nossa demanda de diesel. Eu não vejo no curto prazo que a gente possa ter um problema de desabastecimento, mas claramente é um ponto de alerta para que a gente possa ter políticas públicas que levem a um maior investimento em refino no Brasil”, afirmou.

Desenvolvimento regional e geração de empregos

Além das discussões técnicas sobre energia e abastecimento, o evento também destacou o impacto das refinarias regionais no desenvolvimento econômico das cidades onde estão instaladas.

A geração de empregos, a atração de investimentos e o fortalecimento das economias locais foram apontados como alguns dos benefícios associados à expansão da atividade de refino.

Segundo Ricardo Moura Jr., a SSOil Energy tem buscado estreitar a relação com os municípios da região para ampliar esse impacto positivo.

“A SSOil está fazendo um trabalho de se abrir para a região, convidar prefeitos a visitar a planta, entender como funciona a unidade e tentar fazer com que a unidade se integre à região e promova desenvolvimento”, concluiu.

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