A 14ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a realização de júri popular para julgar Victor Nogueira Carvalho, acusado de matar a técnica de enfermagem Taila de Souza dos Santos, de 25 anos, em maio de 2024, em Ilha Solteira. Na época Victor tinha 24 anos. A decisão mantém o entendimento da Justiça local, que já havia determinado o julgamento pelo Tribunal do Júri em agosto do ano passado. Ainda cabe recurso.
Victor foi denunciado por feminicídio e está preso preventivamente desde agosto de 2024. A defesa recorreu ao TJSP alegando que a sentença de pronúncia seria “eivada (carregada) de subjetividade” e pediu a desclassificação do crime para homicídio privilegiado ou culposo, a exclusão das qualificadoras, a revogação da prisão preventiva e a exumação do corpo da vítima para apurar outra possível causa da morte. A Procuradoria-Geral de Justiça se manifestou contra o recurso.
No voto, o desembargador Marco de Lorenzi afirmou que há indícios suficientes de autoria e que a desclassificação do crime exigiria análise aprofundada das provas, o que não é possível nesta fase. Segundo ele, essas questões deverão ser decididas pelo Conselho de Sentença durante o julgamento.
O crime
Taila foi encontrada morta na noite de 9 de maio de 2024, em um quarto nos fundos da casa onde morava com Victor, no bairro Novo Horizonte. A morte pode ter ocorrido entre os dias 8 e 9. Após o crime, o acusado teria usado o WhatsApp da vítima para responder mensagens, tentando esconder o que havia acontecido.
No mesmo dia, Victor avisou a mãe que Taila estava desacordada e pediu que chamasse o resgate, dizendo que não ficaria no local por medo de ser preso. Ele deixou a casa de carro por aplicativo e passou a noite em um motel, afirmando ao motorista que havia brigado com a esposa. A mãe encontrou o portão trancado e, com ajuda de um vizinho que pulou o muro, Taila foi localizada já sem vida. Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e perícia foram acionados.
O processo
Victor chegou a ser preso em flagrante ao se apresentar à polícia, mas obteve liberdade provisória na audiência de custódia. Após recurso do Ministério Público, a prisão preventiva foi decretada e cumprida em 15 de agosto de 2024, quando ele se apresentou à polícia em Andradina. Testemunhas foram ouvidas em março e maio, e o réu foi interrogado em julho.
A defesa nega a caracterização de feminicídio e sustenta que houve uma briga de casal com agressões mútuas, levantando a hipótese de legítima defesa. Como ainda é possível recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, não há data definida para o julgamento pelo Tribunal do Júri. Com informações Ilha News.


