A Unimed Araçatuba realizou, no sábado (18), o 1º Simpósio TEA, consolidando um importante espaço de diálogo, atualização científica e qualificação do cuidado voltado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com o tema “Ciência, desafios e boas práticas para compreender, diagnosticar e cuidar”, o evento reuniu cerca de 300 profissionais de diferentes áreas no Auditório Papa Francisco, no campus do Unisalesiano, em Araçatuba (SP).
Com quatro horas de programação, o simpósio foi pensado para fortalecer uma atuação baseada em evidências científicas, aliada a uma abordagem humanizada e interdisciplinar.
A proposta reforçou a importância de compreender o TEA em sua complexidade, considerando não apenas os critérios diagnósticos, mas também os desafios enfrentados no acesso ao cuidado e na organização de uma rede de apoio eficiente.
Ao longo da manhã, especialistas com sólida atuação clínica, acadêmica e científica conduziram discussões sobre temas essenciais para a prática clínica e educacional.
Dificuldades na comunicação e interação social
A médica pediatra e neuropediatra Dra. Regina Albuquerque, professora adjunta da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e chefe do Serviço de Neuropediatria do Ambulatório Geral e de Especialidades do Hospital de Base daquela cidade, abriu a programação abordando os critérios diagnósticos e as diferentes manifestações do TEA.
Em sua apresentação, destacou que o diagnóstico se baseia principalmente em dificuldades na comunicação e interação social, além de padrões de comportamento repetitivos. Ressaltou ainda que, por se tratar de um espectro, as manifestações são variadas e podem diferir significativamente entre os indivíduos.
Cognição social
Na sequência, a psicóloga Lúrya Bertoluzzi, especialista em Neuropsicologia e integrante do Ambulatório Geral e de Especialidades do Hospital de Base de São José do Rio Preto, abordou o tema cognição social no autismo. Durante a apresentação, explicou como pessoas com TEA podem apresentar dificuldades na interpretação de emoções, expressões faciais e normas sociais, aspectos que influenciam diretamente a comunicação e as relações interpessoais.
Segundo a especialista, compreender essas particularidades é essencial para a adoção de estratégias de cuidado mais adequadas e humanizadas.
Desafios alimentares
A nutricionista Gabriella Fonseca, especialista em Nutrição Materno-Infantil e com atuação em nutrição clínica e terapia alimentar infantil, abordou os desafios alimentares no TEA, tema frequente na prática clínica.
Durante a apresentação, destacou a seletividade alimentar e as questões sensoriais como fatores centrais nesse contexto, além de compartilhar estratégias práticas para profissionais e famílias, como a introdução gradual de alimentos, a construção de rotinas e o respeito ao tempo da criança.
A especialista também reforçou a importância do acompanhamento integrado para favorecer uma relação mais saudável com a alimentação.
Comunicação
Encerrando o ciclo de palestras, a fonoaudióloga Dra. Simone Lopes-Herrera, mestre e doutora em Ciências Humanas (Educação Especial) e pós-doutora em Ensino e Saúde, apresentou o tema sobre preditores de linguagem em crianças com TEA. Livre-docente em Linguagem Infantil e Fluência e professora associada da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo, destacou sinais essenciais no desenvolvimento da comunicação, como o uso de gestos, a atenção compartilhada, o contato visual e a imitação.
Segundo a especialista, a identificação precoce desses indicadores, aliada ao estímulo adequado, é fundamental para favorecer avanços significativos na linguagem e no desenvolvimento comunicativo de crianças com TEA.
Conhecimento científico
O simpósio foi mediado pelo diretor superintendente da Unimed Araçatuba e diretor técnico do Espaço Neuro Infantil, Dr. Rodrigo Protte Pedro, que destacou a relevância da iniciativa.
“Este simpósio nasce com o propósito de aproximar profissionais, fortalecer o conhecimento científico e, principalmente, qualificar o cuidado. Quando unimos diferentes áreas em torno de um mesmo objetivo, conseguimos oferecer um atendimento mais completo, humano e centrado nas necessidades de cada paciente e de sua família”, afirmou.
A programação contemplou temas essenciais como diagnóstico, desenvolvimento da linguagem, cognição social, seletividade alimentar e estratégias de manejo interdisciplinar, reforçando a importância de uma atuação integrada entre saúde, educação e rede de apoio.
Qualificação da assistência
Para o presidente da Unimed Araçatuba, Dr. Flávio Garbelini, o evento representa um avanço significativo na promoção do conhecimento e na qualificação da assistência.
“O simpósio representa um marco na promoção do conhecimento científico, na qualificação das práticas assistenciais e no fortalecimento de uma atuação integrada, contribuindo para uma rede de cuidado mais estruturada, humanizada e comprometida com a inclusão e o desenvolvimento das pessoas com Transtorno do Espectro Autista e suas famílias.”
A iniciativa reforça o compromisso da Unimed Araçatuba com a educação em saúde e com a disseminação de conhecimento científico, ampliando o acesso à informação qualificada e incentivando práticas assistenciais cada vez mais seguras, eficazes e centradas na pessoa.



