A sociedade do imediatismo e a saúde mental: como o ritmo acelerado da vida moderna está adoecendo as pessoas

Foto: Google Imagens

Na contemporaneidade, a busca incessante por produtividade e a cultura do imediatismo têm imposto um ritmo de vida acelerado, afetando profundamente a saúde mental da população. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno mental, sendo a ansiedade e a depressão responsáveis por cerca de 60% dos casos. No Brasil, o cenário é igualmente alarmante: o estresse afeta mais de 85% da população, indicando uma crise silenciosa que compromete o bem-estar coletivo.

A pressão por resultados e a constante necessidade de adaptação às demandas do mercado têm levado muitos trabalhadores ao esgotamento. Um estudo aponta que 76% dos profissionais se sentem sobrecarregados pela exigência de cumprir prazos e metas, resultando em aumento da ansiedade e redução da produtividade. Além disso, a pandemia de COVID-19 intensificou esses desafios, com um aumento de mais de 25% nos casos de ansiedade e depressão globalmente.

O Dr. Thyago Henrique, médico formado pela Universidade José do Rosário Velano, com pós-graduação em psiquiatria pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que a sociedade atual apresenta um baixo limiar de frustração. “Somos uma geração mais frágil do que há 100 anos; nosso limiar de frustração é muito menor”, afirma o especialista. Ele ressalta que a busca incessante por produtividade, sem momentos adequados de descanso e lazer, leva à exaustão e fadiga, comprometendo a saúde mental.

Para estabelecer limites e buscar equilíbrio, o Dr. Thyago enfatiza a importância do autoconhecimento. “É um exercício de maturidade saber a hora de desacelerar; isso não significa parar, mas sim não ir tão rápido”, explica. Ele observa que o cérebro humano atinge plena maturidade por volta dos 30 anos, o que pode explicar por que muitos adultos jovens ainda não reconhecem a necessidade de desacelerar.

Entre as estratégias para reduzir o estresse diário, o Dr. Thyago recomenda:

• Atividade física regular

“Durante o exercício, liberamos substâncias que controlam o humor e a ansiedade. Além disso, atuamos contra a neuroinflamação provocada pelo estresse cotidiano.”

• Exercícios de respiração diafragmática

“Praticar respiração profunda ajuda a reduzir o nível de estresse no momento e previne picos ao longo do dia.”

• Contato com a natureza e exposição solar

“Interagir com ambientes naturais e receber luz solar promove a liberação de ocitocina e a produção de vitamina D, ambas benéficas para a saúde mental.”

O especialista também alerta para os perigos da privação de sono e da hiperconectividade digital. “Dormir apenas 4 ou 5 horas por noite para ser mais produtivo é um mito prejudicial. Durante o sono, produzimos neurotransmissores essenciais para regular o humor e consolidar memórias”, esclarece. Quanto ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos, ele sugere períodos de desconexão para combater o vício em dopamina proporcionado pelas interações digitais rápidas.

Com vasta experiência em psiquiatria preventiva e performance mental, Dr. Thyago Henrique reforça a necessidade de uma abordagem equilibrada na vida moderna. “Precisamos mostrar ao nosso cérebro que a vida não é feita apenas de prazeres imediatos; é fundamental encontrar um ritmo que preserve nossa saúde mental”, conclui.

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