O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados após ataque à Venezuela. O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma “agressão militar” dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, o país declarou estado de emergência.
Segundo comunicado do regime venezuelano, ataques também ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, o que levou ao estado de emergência nacional e à mobilização das forças de defesa.
“Os EUA realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e retirado do país de avião, juntamente com sua esposa”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.
O americano afirmou ainda que mais detalhes serão apresentados em uma entrevista coletiva marcada para as 13h, horário de Brasília. O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, disse que Maduro “finalmente enfrentará a justiça por seus crimes”.
O paradeiro de Maduro e de sua esposa é desconhecido, de acordo com áudio da vice de Maduro Delcy Rodríguez divulgado na manhã deste sábado pela TV estatal do país.”Exigimos uma prova imediata de vida de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores”, disse Rodríguez.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou em um vídeo divulgado na manhã deste sábado que o país vai resistir à presença de tropas estrangeiras.
Segundo informações do jornal The New York Times, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, um dos principais nomes da cúpula de Maduro, pediu calma em um pronunciamento televisionado e disse a venezuelanos a confiarem em sua liderança. “Que ninguém se desespere. Que ninguém facilite as coisas para o inimigo invasor”, disse ele. Cabello também afirmou, sem apresentar provas, que bombas atingiram construções civis.
Em comunicado, o chanceler venezuelano Yvan Gil informou que a Venezuela rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual regime dos Estados Unidos contra o território venezuelano e sua população nas áreas civis e militares de Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira.
Segundo o porta-voz da ditadura chavista, trata-se de um ato de flagrante violação da Carta das Nações Unidas, especialmente dos artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. “Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, particularmente na América Latina e no Caribe, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas.”
De acordo com testemunhas mencionadas pela Reuters e com imagens que circulam nas redes sociais, explosões, aeronaves e colunas de fumaça preta foram vistas em diferentes pontos da capital a partir de cerca das 2h (6h de Brasília).
Moradores relataram ainda uma queda de energia na região sul de Caracas, nas proximidades de uma importante base militar.
A escalada na tensão com a Venezuela começou com o envio de navios de guerra e soldados ao mar do Caribe. Cerca de 30 embarcações foram bombardeadas, com um balanço de mais de cem mortes. Caracas afirma que as manobras pretendem derrubar o regime venezuelano
Em agosto, Trump aumentou a recompensa pela captura de Maduro, alegando que o ditador liderava um cartel do narcotráfico.
Em seguida, o governo americano comunicou que uma embarcação com traficantes de drogas foi bombardeada, matando seus ocupantes e iniciando uma campanha militar sem autorização do Congresso. Novos ataques se seguiram a esse. A Casa Branca justificou as ações com o argumento de que a entrada de drogas nos EUA causa diversas mortes anualmente.
Na terça-feira (30), Washington realizou ataques contra mais três embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais, informou o Comando Sul, responsável por operações em uma área que vai do Caribe ao sul da Argentina. As embarcações viajavam em comboio, segundo as Forças Armadas americanas.
Trump havia alertado em novembro que iniciaria ataques terrestres na Venezuela e autorizou operações da CIA, a agência de inteligência dos EUA, no país sul-americano.
O presidente da Colômbia, Gustavo Preto, publicou em seu perfil no X um comunicado oficial sobre os ataques na Venezuela, afirmando que seu governo enxerga com profunda preocupação os relatos de explosões e atividades aéreas incomuns registradas no país vizinho
Petro também ordenou neste sábado mobilização de militares para a fronteira com a Venezuela, após os ataques dos EUA.
DOUGLAS GAVRAS, ÍTALO LEITE E MARÍLIA MIRAGAIA / Folhapress



