O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou dois policiais militares, responsáveis pela execução de duas pessoas na Baixada Santista durante a Operação Verão 2024. Uma das vítimas trata-se de um homem cego. Hildebrando Neto, de 24 anos, teria sido confundido com um criminoso e executado pela PM.
O caso em questão aconteceu em 7 de fevereiro de 2024, na Avenida Vereador Oswaldo Toschi, na cidade de São Vicente. Hildebrando, que era cego de um olho, e possuía apenas 20% do outro, estava acompanhado de Davi Gonçalves Junior, que presenciou o crime, e que também foi executado em seguida.
Os agentes alegaram que adentraram a casa da vítima pois a porta estava aberta, havia uma denúncia de tráfico no local, e que Hildebrando foi encontrado em um cômodo, com uma pistola sendo apontada aos PMs, que intervieram em ‘legítima defesa’. Davi teria sido morto sob a mesma justificativa.
A força-tarefa do MPSP, composta por promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (GAESP) e do Tribunal do Júri, que ofereceram a denúncia em dezembro do ano passado, informaram que, de acordo com a investigação, “houve alteração da cena dos fatos, consistente em simular que as vítimas estavam armadas, e a obstrução de câmeras operacionais” para impedir a gravação da ocorrência.
Entre as muitas alegações da denúncia, ainda há o fato de que Hildebrando teria sido confundido com Kaique Coutinho do Nascimento, conhecido como Chip, que era suspeito pela morte de um policial militar. A vítima já teria sido casado com a namorada do criminoso que estava na condição de procurado.
Além de se tonarem réus, os agentes foram afastados de suas atividades externas, e foram realocados na área administrativa interna da corporação, como “medida cautelar”.



