O dérbi campineiro entre Guarani e Ponte Preta foi oficialmente registrado como patrimônio imaterial de Campinas. A decisão foi aprovada nesta quinta-feira (26) pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural), em reunião realizada no auditório do Planetário do Parque Portugal.
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Com mais de um século de história, o confronto entre os dois maiores clubes da cidade deixa de ser apenas uma disputa esportiva e passa a integrar, de forma oficial, o conjunto de bens culturais que representam a memória e a identidade do povo campineiro. O reconhecimento institucional valoriza não só os jogos, mas também os rituais, símbolos e afetos que fazem do dérbi um patrimônio coletivo.
A proposta partiu de estudo técnico conduzido pela especialista Marcela Bonetti, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A pesquisa reuniu entrevistas, documentos, relatos orais e visitas aos estádios, tendo como base a torcida enquanto expressão viva e ativa da tradição popular. “A cada novo confronto, renova-se o suspense, a emoção e o sentimento de pertencimento. O dérbi é mais do que futebol, é um elo afetivo entre gerações”, destacou Bonetti.
Representantes dos dois clubes participaram da reunião. Pela Ponte Preta, o diretor de Patrimônio Histórico Marco Antônio Castiglieri ressaltou que o reconhecimento “traz a história para a rotina das pessoas”. Já o vice-presidente de Patrimônio do Guarani, Erik Franco, reforçou a importância do passo para atrair novos torcedores. “É a história sendo valorizada. O clube já criou uma área kids para formar públicos do futuro”, afirmou.
O primeiro dérbi registrado ocorreu em 1912. Desde então, os encontros entre bugrinos e pontepretanos se tornaram parte essencial da cultura local. Além das partidas, a cidade se mobiliza em torno do clássico: os bares lotam, as rádios acompanham lance a lance, os bairros se dividem em cores e bandeiras. No cotidiano, grafites, músicas, expressões e apelidos também traduzem o legado emocional da rivalidade.
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Com o novo status, o dérbi passa a integrar a política de proteção do patrimônio imaterial da cidade, criada em 2013 pela Lei Municipal 14.701. A classificação reconhece práticas e celebrações que fortalecem vínculos comunitários, como festas populares, saberes tradicionais e manifestações artísticas. “Ser da Ponte ou do Guarani é parte da biografia de muitos campineiros. Esse reconhecimento valoriza uma tradição que sempre pertenceu ao povo”, afirmou a secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli.



