BURNOUT: Quando dar o máximo faz você perder a si mesmo

Jhon Fuentes
Jhon Fuentes
Neuropsicólogo, psicólogo escolar, psicólogo clínico especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), atuando nos tratamentos de Depressão, Ansiedade, Síndrome de Burnout, doenças psicossomáticas e situações com sequelas graves de violência doméstica.

Trabalhar faz parte da vida. Traz sustento, propósito, realização e dignidade. O problema começa quando o trabalho deixa de ocupar um espaço da nossa vida e passa a ocupar toda a nossa vida.

“Só mais essa tarefa.”

“Depois eu descanso.”

“Preciso dar conta.”

Quando essas frases viram rotina, enquanto o corpo e a mente pedem descanso, é hora de prestar atenção. É nesse contexto de vida que aparece o Burnout.

A Organização Mundial da Saúde reconhece o Burnout na CID-11 como um fenômeno relacionado ao trabalho, associado ao estresse crônico que não foi administrado adequadamente. Ele envolve principalmente exaustão, distanciamento do trabalho e sensação de menor eficácia profissional.

NÃO É FRESCURA

Os números mostram que saúde mental no trabalho é uma questão séria.

Segundo dados do Ministério da Previdência, em 2024 foram concedidos 450.853 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais.

Por trás dos números existem pessoas.

É o profissional que chega em casa sem energia para conversar com a família. É quem começa a perder a paciência por qualquer coisa. É quem dorme pensando no trabalho e acorda cansado. É quem antes gostava da profissão e agora sente apenas obrigação.

A OMS destaca que excesso de trabalho, jornadas longas, pressão, pouca autonomia e falta de apoio podem aumentar os riscos à saúde mental.

Por isso, nem sempre o problema é falta de resiliência.

Às vezes, existe pressão demais.

QUANDO O CORPO COMEÇA A FALAR

O Burnout pode começar silenciosamente:

· cansaço constante;

· irritabilidade;

· dificuldade de concentração;

· alterações no sono;

· perda de motivação;

· distanciamento das pessoas;

· sensação de que nada do que faz é suficiente.

Cansaço depois de uma semana difícil é normal. O alerta aparece quando o esgotamento se torna frequente e começa a interferir na vida pessoal e profissional.

COMO PREVENIR?

1. Respeite seus limites.
Nem todo “eu consigo” significa “eu preciso fazer”.

2. Separe trabalho e vida pessoal.
Quando possível, estabeleça horários para começar e terminar o expediente e evite estar disponível o tempo inteiro.

3. Faça pausas.
Alguns minutos para respirar, caminhar, beber água ou simplesmente sair da tela também são importantes.

4. Cuide do sono.
Descanso não é luxo, é parte fundamental da saúde física e emocional.

5. Preserve sua vida fora do trabalho.
Família, amigos, lazer, atividade física, espiritualidade e hobbies também precisam existir.

6. Procure ajuda.
Psicólogo e psiquiatra podem contribuir na avaliação e no tratamento quando existe sofrimento significativo.

PARA REFLETIR

Talvez a pergunta não seja:
“Quanto eu ainda consigo produzir?”

E sim:
“Quanto de mim estou perdendo para conseguir produzir?”

Trabalhar é importante. Mas descansar também é. Estar com quem amamos também é. Cuidar de nós mesmos também é.

Você não precisa chegar ao colapso para perceber que precisava parar.

Cuidar da saúde mental não é falta de compromisso. É responsabilidade com a própria vida.

Porque produtividade sem saúde tem um preço.

E nenhum trabalho deveria custar a sua saúde.

Até a próxima semana!

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