A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas investiga uma vistoriadora de Valinhos suspeita de adulterar hodômetros de veículos — o equipamento que registra a quilometragem rodada pelos carros. A empresa, localizada na Avenida Dom Neri, é credenciada pelo Detran e, segundo a Polícia Civil, vinha emitindo laudos de transferência com dados falsos para valorizar veículos usados, facilitando a revenda.
De acordo com o delegado Luiz Fernando de Oliveira, havia suspeitas de que os laudos eram aprovados de forma fraudulenta e inseridos no sistema do Detran com quilometragens inferiores às reais. Um dos casos investigados aponta um veículo que, em 2022, passou por vistoria com 170 mil quilômetros rodados e, recentemente, apareceu com apenas 116 mil — uma diferença de 60 mil quilômetros sem qualquer justificativa mecânica.
“Esses dois laudos com dados falsos tinham diferença de três, quatro minutos entre um e outro. Para ‘driblar’ o sistema, lançavam um terceiro laudo com uma quilometragem um pouco maior do que a fraudada, evitando o bloqueio automático”, explicou o delegado.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, notebooks e computadores. Os equipamentos passarão por perícia para identificar quem realizava as adulterações e quantos veículos foram negociados com dados manipulados. O dono da empresa foi preso em flagrante por estelionato e inserção de dados falsos em sistema público, mas foi liberado após audiência de custódia e responderá em liberdade.
A Polícia Civil também apura se estacionamentos e pessoas físicas estão envolvidos no esquema. A suspeita é de que os envolvidos se beneficiavam diretamente da valorização dos veículos com quilometragem reduzida artificialmente.
“Uma quilometragem menor aumenta o valor de mercado do carro. Há indícios de que até particulares participaram da fraude”, acrescentou Luiz Fernando.
A loja está fechada desde a operação. Em nota, o Detran de São Paulo informou que a conduta investigada pode levar ao bloqueio imediato das atividades da empresa e à suspensão do credenciamento.
Segundo o Código Penal, adulterar o hodômetro com o objetivo de obter vantagem configura crime de estelionato, com pena de 1 a 5 anos de prisão e multa. Se cometido por uma empresa, o crime pode ser enquadrado como infração contra as relações de consumo, com pena de até 5 anos de detenção.
A polícia orienta consumidores a ficarem atentos ao comprar um carro usado. “Leve o veículo ao mecânico de confiança e escolha livremente a vistoriadora. Indicações forçadas podem indicar fraude ou venda casada”, alerta o delegado.
As investigações continuam. Quem suspeita ter sido vítima do esquema pode procurar a DIG de Campinas ou fazer uma denúncia anônima.







