A Polícia Civil de São Paulo deu início nesta quarta-feira, 1º de outubro, a uma nova etapa do programa SP Mobile, com o envio de 1,5 mil notificações a pessoas que estão na posse de celulares registrados como roubados ou furtados. Os destinatários têm três dias úteis para comparecer a uma delegacia e comprovar a origem legal do aparelho ou devolvê-lo voluntariamente. Quem descumprir o alerta pode responder por crime de receptação, com penas que variam de 1 a 8 anos de reclusão, e terá o celular bloqueado permanentemente por IMEI, tornando-o inutilizável em qualquer operadora.
A ação é resultado do cruzamento de dados entre boletins de ocorrência registrados em todo o estado e informações fornecidas pelas operadoras de telefonia. De acordo com o Núcleo Estratégico Interdisciplinar do SP Mobile, a maioria das pessoas notificadas em fases anteriores alegou ter adquirido o aparelho de terceiros ou em estabelecimentos comerciais, sem conhecimento da origem ilícita. Além das notificações, a polícia também realiza buscas com mandados judiciais e fiscaliza pontos de comércio para desarticular redes de receptação.
Em setembro, centenas de notificações semelhantes permitiram a recuperação de quase 300 celulares. “Eu já tinha perdido as esperanças, nem acreditava”, relatou Gabrielly Furtado, 25 anos, uma das vítimas que recuperou o dispositivo no Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). Para facilitar a rastreabilidade, a polícia reforça a importância de o cidadão informar o número de IMEI, código de identificação do aparelho, no momento do registro do boletim de ocorrência. Esse número pode ser encontrado na caixa do celular ou na nota fiscal.
“É esse registro que alimenta nosso sistema e possibilita que o aparelho seja encontrado e devolvido ao seu legítimo dono”, explicou o coordenador do SP Mobile, Rodolfo Latif Sebba. Desde que o projeto foi expandido para todo o estado, em junho, 3,8 mil dos mais de 8 mil aparelhos recuperados já foram restituídos aos donos originais.
O SP Mobile é o primeiro sistema estadual a integrar de forma organizada ações de prevenção e repressão a furtos e roubos de celulares. Os resultados aparecem também nas estatísticas: de janeiro a agosto de 2025, foram registrados 173,3 mil casos no estado, número 5% inferior ao mesmo período de 2024, quando houve 181,5 mil ocorrências.
Além da dimensão penal, a iniciativa busca conscientizar a população sobre os riscos de comprar aparelhos sem procedência conhecida. Nas palavras do advogado Fernando Peres, “além de perder o aparelho e responder a um processo, a pessoa pode sofrer as consequências penais da receptação, que na forma dolosa prevê reclusão de 1 a 4 anos, podendo chegar a 3 a 8 anos em casos de atividade comercial”.
Quem receber a notificação, seja por mensagem no celular, e-mail ou carta, deve dirigir-se a uma delegacia com documento de identidade e comprovante de origem do aparelho, se for o caso. A devolução voluntária evita a responsabilização criminal, e o aparelho seguirá para análise pericial antes de ser devolvido à vítima original.



