O sinal fecha. Para muitos, são segundos de espera e impaciência. Para Seo Raimundo, é o tempo de uma venda. Morador do bairro Campo Belo, aos 66 anos, ele vende panos de chão nos faróis de Campinas. A rotina começa cedo, de segunda a sábado, e vai até o fim do dia, enfrentando chuva, sol e a indiferença de quem passa.
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“Todo dia, todo dia. De segunda a sábado. Tem dia que você não vende nada, mas tem que continuar”, conta.
Raimundo Nonato de Araujo já trabalhou com obras. Depois da pandemia, o cenário financeiro piorou e ele decidiu tentar a vida nas ruas. Ele é aposentado, mas o dinheiro mal dá para pagar o aluguel. A venda dos panos virou a segunda fonte de renda, e a única saída para se manter.
A vida é solitária. Os dois filhos estão no Ceará, sem contato. Os irmãos moram em Campinas, mas cada um seguiu seu caminho. “É o senhor por senhor mesmo?”, perguntamos. “É. Eu mesmo. Tô morando de aluguel, me virando”, responde.
Em seis anos de jornada, já viu de tudo: vidros que se fecham antes do “bom dia”, e mãos que se estendem não apenas pelo produto, mas por um breve momento de conversa. No dia da reportagem, até aquela hora ele ainda não tinha vendido nenhum pano. Estava com 10 conjuntos do pano branco e 8 do azul xadrez. Cada conjunto com 5 panos custa R$ 20.
“Se vendeu muito bem. Se não vendeu, vai pra casa. O próximo dia é o desafio”, diz, com o semblante cansado, mas firme.
Entre um sinal verde e outro, Seo Raimundo segue seu caminho. A vontade de vencer, diz ele, é o que faz a vida andar. Perguntado se vai continuar até o fim da vida vendendo pano no farol, a resposta vem sem hesitar: “Até o fim da vida”.







