Três anos após o crime que chocou a cidade, o Fórum de Limeira começa nesta quarta-feira (30), o julgamento dos sete réus acusados de envolvimento na morte de Maiara Fernanda da Silva Valério, de 24 anos. A jovem foi executada em setembro de 2022, após ter sido julgada por um “tribunal do crime” organizado por integrantes de uma facção criminosa.
Segundo as investigações, Maiara teria sido alvo da facção por manter um suposto relacionamento com um policial e, supostamente, repassar informações sigilosas sobre a organização. Após ser sequestrada, ela foi torturada e levada até um canavial às margens da Rodovia SP-306, na zona rural de Limeira, onde foi executada. O corpo foi localizado 22 dias depois, em 25 de setembro de 2022, já em avançado estado de decomposição e com ferimentos graves na cabeça, além de marcas de mordidas de animais.
O caso ganhou repercussão nacional após uma carta manuscrita, atribuída a membros da facção, ser encontrada durante uma operação da Polícia Militar contra o tráfico. O documento detalhava o sequestro, a execução e a tentativa de ocultar o cadáver de Maiara, além de apontar os envolvidos.
Sequestro anterior e promessa de morte
Durante o processo, testemunhas relataram que Maiara havia sido sequestrada anteriormente, em janeiro de 2022, junto com duas amigas. Na ocasião, foi poupada porque estava grávida. Uma das sobreviventes relatou ter passado dias em cativeiro, sendo interrogada em três cidades: Mogi Guaçu, Limeira e Capivari.
Após sofrer um aborto espontâneo meses depois, Maiara teria sido novamente capturada pelos criminosos. O grupo, então, cumpriu a “sentença de morte” que já havia sido decretada internamente.
Os réus e o julgamento
Os sete réus respondem por homicídio triplamente qualificado, sequestro, tortura e ocultação de cadáver. Todos têm ligação comprovada com o crime organizado, segundo a investigação conduzida pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Limeira. Um dos acusados, considerado o último integrante da quadrilha a ser capturado, foi preso no bairro Ernesto Kühl, também em Limeira, durante uma operação policial. Ele tentou fugir pelo telhado e foi encontrado com drogas e balanças de precisão.
A operação que levou à prisão de Leonardo foi batizada de “Foetibundus”, termo em latim que remete à podridão, e também resultou na apreensão de documentos pessoais, entorpecentes e anotações da facção.
O julgamento deve se estender ao longo do dia e acontece sob esquema de segurança reforçado, devido à gravidade do crime e ao envolvimento com o crime organizado. A defesa dos réus ainda pode recorrer da sentença após a decisão do júri.







