O vereador de Piracicaba, Cássio Luiz Barbosa, é alvo de um inquérito policial da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) sob a acusação de importunação sexual. O caso, que ganhou repercussão nas redes sociais com a divulgação de áudios e prints de conversas, envolve o relato de uma mulher que alega ter sido constrangida pelo parlamentar durante uma visita a seu gabinete no dia 22 de setembro.
A vítima, que preferiu não se identificar, foi ao local supostamente para discutir uma oportunidade de emprego. Em seu depoimento à polícia, ela descreveu um clima de intenso desconforto. Segundo o boletim de ocorrência, o vereador teria puxado seu braço, feito gestos inadequados, insistido para que ela se sentasse em seu colo e, em determinado momento, chegado a expor partes íntimas. A mulher afirmou que, assustada, só conseguiu pedir ajuda via mensagem de celular para uma conhecida, que então ligou para o gabinete.
A situação só foi formalmente denunciada à DDM no dia 29 de setembro. A vítima explicou que precisou de alguns dias para processar o trauma e buscar apoio de amigas e de seu pastor antes de procurar as autoridades. O caso foi registrado como importunação sexual, prevista no artigo 215-A do Código Penal.
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A investigação ganhou um novo contorno com a circulação de áudios nas redes sociais, atribuídos ao vereador. Em um deles, uma voz que supostamente é a dele admite ter cometido um “erro” e “pisado na bola” durante um diálogo com um interlocutor não identificado. As mensagens, cujo contexto completo e autenticidade ainda estão sendo apurados pela polícia, se somam a prints de conversas que também circulam online, supostamente envolvendo o parlamentar e outra mulher.
Em uma live e em uma nota oficial enviada à imprensa, o vereador se declarou inocente. Ele afirmou ter “plena confiança na Justiça para o esclarecimento dos fatos” e garantiu que “jamais praticou qualquer conduta ilícita ou que pudesse atentar contra a dignidade de qualquer pessoa”. Ele questionou publicamente por que a suposta vítima não teria gritado por ajuda durante o ocorrido e sugeriu que existem “interesses por trás” da denúncia. O parlamentar informou que continuará exercendo o mandato normalmente. A reportagem entrou em contato com sua assessoria, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve um novo posicionamento além da nota.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou que um inquérito policial está em andamento na DDM de Piracicaba, sob sigilo. As investigações, lideradas pela autoridade policial da unidade, seguem com a coleta de provas, a análise do material digital e a oitiva de testemunhas para tentar reconstituir os fatos. A Câmara Municipal de Piracicaba foi contactada para se manifestar sobre o caso, mas ainda não emitiu uma nota oficial.







