Filhotes de onças-pardas salvas em canavial ganham novo lar em zoológico

Por terem sido separadas da mãe ainda recém-nascidas, as onças não aprenderam a caçar e encontrarão abrigo definitivo em Garça (SP).

Onças-pardas chegaram ao Zoobotânico de Rio Preto em outubro de 2025 | Foto: Divulgação

Dois filhotes de onça-parda (um macho e uma fêmea) que chegaram ao Zoobotânico Municipal de São José do Rio Preto (SP) em outubro de 2025, após serem socorridos em um canavial, ganharão um novo lar. Após quase um ano de cuidados veterinários intensivos e acompanhamento constante, os felinos serão transferidos para o Zoológico de Garça (SP), onde continuarão a receber manejo adequado ao seu desenvolvimento.

Os animais foram resgatados por trabalhadores de uma usina na zona rural de Monte Aprazível, logo após a colheita de um canavial. Na ocasião, tinham entre três e cinco semanas de vida e pesavam cerca de 850 gramas cada.

Mamadeira a cada duas horas

Por serem recém-nascidos e totalmente dependentes, precisaram de atendimento contínuo da equipe do Zoobotânico, incluindo amamentação por mamadeira a cada duas horas (inclusive de madrugada) com fórmula láctea especial, aquecimento e estímulos corporais para simular os cuidados maternos.

Com o passar dos meses, a rotina e a alimentação foram adaptadas. Atualmente, os animais recebem carne uma vez ao dia, por volta das 16h, em porções de aproximadamente 1,2 quilo para cada um. O ganho de peso ao longo do período reflete a evolução do manejo: a fêmea, que chegou com 852 gramas, atingiu 30,5 quilos; já o macho saltou de 848 gramas para 39,8 quilos.

Impossibilidade de retorno à vida selvagem

Apesar do desenvolvimento saudável, os técnicos explicam que a soltura na natureza não é viável do ponto de vista técnico e de segurança. Como foram separados da mãe ainda muito jovens, os filhotes não aprenderam comportamentos essenciais para a sobrevivência em vida livre, como a caça e o reconhecimento de território. Nesses casos, o encaminhamento para instituições de conservação garante a manutenção da qualidade de vida e do bem-estar dos exemplares.

“Como médica-veterinária atuante em zoológico e na reabilitação de animais silvestres, é impossível não se sensibilizar com a quantidade de animais que chegam vítimas das consequências das ações humanas. Ao mesmo tempo, é muito gratificante saber que podemos usar o conhecimento e a estrutura disponíveis para transformar essas histórias”, destaca a médica-veterinária do Zoobotânico, Natasha Fujii Ando. Ela ressalta que, quando a devolução à natureza não é possível, a transferência para locais capacitados é a melhor alternativa.

O processo de transferência contou com a autorização da Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL) e do Núcleo de Gestão Faunística (GEFAU).

Para a gestora do Zoobotânico de Rio Preto, Camila Pacifico Sparvoli, a mudança marca a conclusão bem-sucedida de um trabalho de preservação. “Eles chegaram necessitando de cuidados praticamente contínuos. Hoje, ultrapassam os 30 quilos e iniciam uma nova etapa. Ficamos muito felizes por saber que terão uma nova oportunidade no Zoológico de Garça. Não é uma despedida, mas a continuidade de uma história de cuidado, proteção e conservação”, conclui.

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