A capital paraibana recebe, nesta quarta-feira (1º), a terceira edição da Caminhada do Silêncio da Paraíba – Ditadura, Nunca Mais, um ato público que deve reunir movimentos sociais, entidades e instituições em defesa da memória, verdade e justiça. A concentração está prevista para as 15h, em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil na Paraíba (OAB-PB), no Centro de João Pessoa.
A mobilização percorrerá pontos históricos ligados à repressão e resistência política durante o período da ditadura militar, com o objetivo de resgatar histórias e promover reflexão sobre as violações de direitos humanos ocorridas no país.
Organizada pelo Comitê Paraibano Memória, Verdade e Justiça e pelo Memorial da Democracia da Paraíba, a caminhada propõe ocupar o espaço urbano como forma de fortalecer a memória coletiva. O trajeto inclui locais simbólicos como a Faculdade de Direito e a Associação Paraibana de Imprensa (API), reconhecidos por sua relevância histórica durante o regime autoritário.
Percurso resgata memória histórica
De acordo com a coordenação do Memorial da Democracia da Paraíba, o percurso foi definido com base em registros de violações de direitos humanos ocorridas na capital paraibana. A proposta é transformar o Centro em um espaço de lembrança e reflexão, ainda que de forma temporária.
A expectativa dos organizadores é de uma participação maior neste ano, impulsionada pela relevância do tema e pelo cenário político recente. O ato também levanta o debate sobre a responsabilização de envolvidos em atos antidemocráticos e a necessidade de respostas para casos ainda não esclarecidos, como o de desaparecidos políticos.
O encerramento está previsto para o Cassino da Lagoa, outro local marcado por episódios de repressão, onde devem ocorrer intervenções culturais e falas públicas.
Silêncio como forma de manifestação
Um dos principais elementos da caminhada é o silêncio, adotado como linguagem política e simbólica. Durante o percurso, não haverá carro de som, apenas o uso de faixas.
A proposta é prestar homenagem às vítimas da ditadura e às famílias que não puderam realizar rituais de despedida, além de criar um contraste com o cotidiano urbano. Para os organizadores, o silêncio funciona como um “grito coletivo” diante da ausência de respostas e da necessidade de preservação da memória histórica.
Ato também é espaço de reivindicação
Além da homenagem, a caminhada reforça a cobrança por justiça e esclarecimento sobre crimes cometidos durante o regime militar. A falta de respostas sobre desaparecidos e a responsabilização por violações seguem como pontos centrais do debate.
Segundo integrantes do Comitê Paraibano Memória, Verdade e Justiça, a iniciativa também tem caráter educativo, inserindo-se no que pesquisadores classificam como “pedagogia do nunca mais”, que busca evitar a repetição de períodos autoritários.
Mobilização integra agenda nacional
A Caminhada do Silêncio realizada em João Pessoa faz parte de um movimento nacional, com atos semelhantes em estados como Rio Grande do Norte, Pernambuco e São Paulo.
No Brasil, o debate sobre o tema ganhou força institucional com a criação da Comissão Nacional da Verdade, estabelecida pela Lei nº 12.528/2011. O relatório final, divulgado em 2014, documentou casos de tortura, mortes e desaparecimentos forçados durante a ditadura militar.
Dados oficiais apontam que ao menos 434 pessoas foram mortas ou desapareceram no período investigado. No entanto, pesquisadores e entidades de direitos humanos indicam que esse número pode ser maior, devido a lacunas nas investigações e dificuldades de acesso a documentos.



