Neste 29 de janeiro, Dia Nacional da Visibilidade Trans, o monólogo paraibano ‘Gisberta – Basta um nome pra lembrarmos de um ódio’ está comemorando três anos de estrada. Estrelado pela atriz trans Letícia Rodrigues, espetáculo terá duas apresentações em Recife (PE), no Metrô e na Secretaria Municipal da Mulher.
Já na sexta-feira, dia 30, a apresentação será em Vitória da Conquista, na Bahia. Letícia voltará ao Estado da Paraíba no sábado, quando levará o espetáculo para a cidade sertaneja de Patos (com apresentação na Concha, a partir das 20h). Monólogo já conquistou mais de 20 premiações em festivais pelo País.
A peça permanece necessária e fundamental para a luta contra o preconceito e contra a transfobia. Em 2023, ano de estreia de ‘Gisberta – Basta um nome pra lembrarmos de um ódio’, publiquei uma crítica a respeito da peça protagonizada por Letícia Rodrigues e, a seguir, reproduzo, alguns trechos dessa crítica:
‘Gisberta – Basta um nome pra lembrarmos de um ódio’ é um espetáculo visceral e com nível de entrega abissal à personagem. No palco, a atriz trans paraibana Letícia Rodrigues interpreta Gisberta Salce Júnior, travesti torturada e assassinada por 14 adolescentes, em 2006, na cidade de Porto, em Portugal. Em pouco mais de uma hora de apresentação, a artista coloca os espectadores em um ato político emocionante contra a transfobia.
Esse monólogo tem a força de um soco no estômago. A plateia se emociona em diversos momentos, uma vez que o texto ‘não alisa’ (sem fartura de ‘alívios cômicos’). Direção do experiente Mizael Batista parece deixar Letícia bem à vontade em seu lugar de fala. Letícia Rodrigues é a rainha das soluções cênicas, ao tirar muito de onde parecia não haver nada. A interação com a plateia funciona e – como sempre – Letícia tem os espectadores nas mãos.
No final das contas, é um espetáculo que precisa ser visto. Um espetáculo necessário! Cumpre com o seu papel. Como sempre, Letícia Rodrigues, dirigida por Misael Batista, explicita um imenso nível de entrega à arte de encenar (em associação a um extremo ativismo no palco). Letícia endurece… mas não perde a ternura.


