A Páscoa, conhecida por seus símbolos e celebrações, tem no coelho um de seus ícones mais populares, o que aumenta a procura pelo animal como presente. Mas, após o fim da festa, surge um problema crescente: entre dois e três meses depois da data, cerca de 40% dos coelhos acabam abandonados, segundo dados da ONG Adote um Orelhudo.
Diferente da imagem disseminada no imaginário popular, os coelhos exigem cuidados específicos, além de demandarem gastos e conhecimento técnico.
De acordo com o presidente do CRMV-PB, o médico-veterinário José Cecílio, a aquisição impulsiva, motivada pelo apelo simbólico da data, muitas vezes ocorre sem conhecimento prévio das necessidades do animal, resultando em negligência e abandono após o período festivo. “Animais não são objetos, nem presentes temporários, mas seres vivos que demandam cuidados contínuos ao longo de toda a vida. A decisão de adotar um animal deve ser baseada em responsabilidade e planejamento a longo prazo”, pontua.
Além da questão ética, o abandono de animais domésticos é crime no Brasil. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) prevê detenção e multa para quem abandona animais, punindo com mais rigor casos que resultem na morte do bichinho. “Na prática, o abandono expõe os animais a situações extremas de maus-tratos, como fome, doenças, acidentes e ataques, reduzindo suas chances de sobrevivência”, explica o médico-veterinário.
Cuidados
Para garantir bem-estar, os coelhos precisam de cuidados contínuos:
- Visitas ao veterinário: avaliações clínicas periódicas, controle de parasitas e cuidados com a saúde bucal, já que os dentes crescem continuamente.
- Alimentação equilibrada: feno de qualidade, vegetais frescos e ração específica. Nutricionistas ou zootecnistas podem orientar a dieta equilibrada e compatível com as necessidades fisiológicas do animal.
- Atenção à saúde digestiva: problemas intestinais são comuns e exigem observação constante.



