A ‘Monga’ é baseada em uma história real? Descubra

Trata-se de um espetáculo que envolve artifícios de terror, suspense e um jogo de espelhos, além de uma mulher que inicia a performance e se transforma em macaco ao final.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

Quem conhece a Festa das Neves, evento que celebra o aniversário de João Pessoa e a Santa Padroeira da capital paraibana, sabe o quanto uma personagem é tradicional. A “Monga” já faz parte da essência da comemoração. Trata-se de um espetáculo que envolve artifícios de terror, suspense e um jogo de espelhos, além de uma mulher que inicia a performance e se transforma em macaco ao final.

Em 2017 a atração não compareceu na programação e muita gente lamentou, dizendo que não há comemoração sem a atração. Já em 2022, alguns pensaram que o caso se repetiria. Desde a abertura das festividades a personagem não estava, mas isso mudou.

A personagem viajou cerca de seis horas de Caicó, no estado vizinho do Rio Grande do Norte, em direção à capital paraibana para garantir muitas emoções aos paraibanos. Desde então, sem falta, a atração segue no Parque da Lagoa, no Centro de João Pessoa, em toda comemoração do aniversário da capital.

Apesar da popularidade na Festa das Neves, poucos conhecem a origem da “Monga“. A famosa atração circense teria sido inspirada em uma história real. A história lembra a temporada da série American Horror Story: Freak Show (História de Horror Americana: O Circo dos Horrores).

Segundo o Guia dos Curiosos, uma mexicana descendente de índios chamada Júlia Pastrana (1834-1960) sofria de hipertricose, doença que faz nascer pelos grossos e escuros por todo o corpo. Ela tinha ainda a mandíbula projetada para a frente e media 1,37 metro.

A mãe de Júlia a vendeu para um homem que fazia shows com aberrações. Outro empresário do ramo, Theodore Lent, enxergou em Júlia uma grande atração e a cortejou até que se casaram em 1854. Ele a ensinou a cantar e dançar. Posteriormente, Júlia passou a apresentar-se no circo.

Em 1860, o casal teve um filho que nasceu com o mesmo problema de hipertricose. Só que o bebê resistiu por apenas 35 horas. Alguns dias depois, Júlia também não suportou as complicações do parto e morreu. Lent vendeu os dois corpos para um professor da Universidade de Moscou. Quando percebeu que os corpos embalsamados viraram atração, Lent os pediu de volta. Passou a exibir as múmias de Júlia e do filho em cabines de vidro.

Algum tempo depois, Lent descobriu outra mulher-gorila e a apresentava como uma “irmã escondida de Júlia”. Ele morreu louco e na miséria (jogou quase todo o seu dinheiro no rio) em 1880.

No século XIX, a história de Júlia virou uma atração de ilusionismo. Com um jogo de espelhos, conhecido como “pepper’s ghost” (homenagem a seu criador, o cientista britânico John Henry Pepper), uma linda mulher se transformava na mulher-gorila, que fugia da jaula e perseguia os espectadores, que saíam correndo em desabalada correria.

No Brasil, na década de 1950, a figura da mulher-gorila já era vista no Parque Shangai, no bairro da Penha, Rio de Janeiro.

Entre 1977 e 1988, Monga foi uma das principais atrações do parque de diversões Playcenter, em São Paulo.

O nome “Monga”, que virou sinônimo para mulher-gorila no Brasil, foi criado por um artista circense chamado Romeu del Duque, que explorava a atração em circos e rodeios.

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