Um acidente registrado nesta semana no bairro do Varadouro, em João Pessoa, voltou a chamar a atenção para a importância do uso do cinto de segurança e dos dispositivos de retenção infantil. Na ocorrência, uma criança de 3 anos morreu após ser arremessada para fora do carro conduzido pela avó. Outra criança, de 2 anos, também ficou ferida. Pelas imagens que circulam nas redes sociais, as duas crianças supostamente não utilizavam os equipamentos de segurança recomendados para o transporte infantil.
Especialistas alertam que o cinto de segurança é um dos itens mais importantes para proteger motoristas e passageiros. Em caso de freada brusca ou colisão, ele impede que a pessoa seja lançada dentro ou para fora do veículo, reduzindo o risco de ferimentos graves e de morte.
O cinto de segurança de três pontos, usado atualmente na maioria dos veículos, foi criado em 1959 pelo engenheiro sueco Nils Bohlin. O equipamento foi desenvolvido para distribuir a força do impacto pelas partes mais resistentes do corpo, como os ombros e a região do quadril.
Embora o cinto não evite acidentes, ele aumenta as chances de sobrevivência. Estudos mostram que o uso correto pode reduzir de 40% a 50% o risco de morte e de ferimentos graves, tanto para quem viaja nos bancos da frente quanto nos de trás.
No caso das crianças, a proteção precisa ser ainda maior. Elas devem ser transportadas sempre no banco traseiro e usando o equipamento adequado para a idade, o peso e a altura. O transporte de crianças no colo de um adulto, mesmo que este esteja utilizando o cinto de segurança, não deve acontecer, pois, em uma colisão, o peso do adulto pode prensar a criança contra o painel ou o banco dianteiro.
Qual é o equipamento certo para cada criança?
O cinto de segurança comum foi desenvolvido para adultos. Por isso, crianças pequenas precisam usar dispositivos específicos, que oferecem a proteção adequada para o corpo em desenvolvimento, conhecidos como bebê-conforto, cadeirinha e assento de elevação.
Em geral, apenas crianças com mais de 10 anos, altura acima de 1,45 metro e peso superior a 36 quilos podem utilizar somente o cinto de segurança do veículo.
Antes disso, o transporte deve ser feito com dispositivos certificados pelo Inmetro, conforme o peso da criança:
Dispositivos de retenção infantil: qual usar em cada idade
- Bebê-conforto (Grupo 0): até 9 meses de idade (crianças de até 10 kg).
- Bebê-conforto (Grupo 0+): até 1 ano de idade (crianças de até 13 kg).
- Cadeirinha (Grupo I): aproximadamente de 1 a 4 anos (crianças de 9 a 18 kg).
- Assento de elevação (Booster) – Grupo II: aproximadamente de 4 a 6 anos (crianças de 15 a 25 kg).
- Assento de elevação (Booster) – Grupo III: aproximadamente de 6 a 10 anos (crianças de 22 a 36 kg).
Como usar cada dispositivo
O bebê-conforto é indicado para recém-nascidos e bebês pequenos. Ele deve ser instalado de costas para o movimento do carro, de preferência na posição central do banco traseiro. A posição invertida é fundamental para apoiar a cabeça e pescoço do bebê, evitando o risco de trauma da coluna cervical.
A cadeirinha, indicada para o Grupo I, deve ser instalada voltada para a frente, também preferencialmente no banco traseiro. Quando a criança ultrapassar as dimensões da cadeirinha, mas ainda não atingir altura de 1,45m para utilizar apenas o cinto de segurança, deve ser transportada em um assento de elevação (booster).
Especialistas alertam que o booster não deve ser substituído por almofadas ou outros objetos improvisados. O uso inadequado pode fazer com que a criança escorregue por baixo ou por cima do cinto durante uma colisão ou ainda provocar compressão da região do pescoço.
Instalação correta é essencial
Além da escolha do dispositivo adequado, a instalação correta é considerada fundamental para garantir a segurança da criança. A recomendação é que os responsáveis consultem o manual de instruções tanto do equipamento quanto do veículo, verificando o modo correto de fixação e de utilização dos cintos ou do sistema de ancoragem disponível. Quando utilizado de forma correta, o dispositivo de retenção infantil pode reduzir entre 64% e 73% o risco de lesões graves e mortes em caso de acidentes, segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).


