RÁDIO AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO
Botão TV AO VIVO TV AO VIVO Ícone TV
RÁDIO AO VIVO Ícone Rádio

Após derrota, Bolsonaro diz esperar que Congresso mantenha Coaf com Moro

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Depois de uma comissão no Congresso impor derrota ao governo e ao ministro Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que espera que deputados e senadores mantenham o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) na pasta da Justiça.

A comissão que analisa a MP de reestruturação do governo modificou o texto nesta quinta-feira (9), transferindo o órgão para o Ministério da Economia.
“Uma das medidas tomadas pela comissão, que falta ser referendada pelo plenário, o que pode não acontecer, estão pegando o Coaf e levando do Ministério da Justiça, do Sergio Moro, para o Ministério da Economia, do Paulo Guedes. A gente espera que o plenário da Câmara e do Senado mantenha o Coaf no Ministério da Justiça. É uma ferramenta muito forte no combate à lavagem de dinheiro, à corrupção e outras medidas”, disse Bolsonaro durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

A fala do presidente diverge de afirmação feita mais cedo pelo porta-voz, general Otávio Rêgo Barros. Durante entrevista, ele disse que Bolsonaro não considerou que o episódio se tratou de uma derrota e que ele aceitou o que chamou de “decisão soberana” do Poder Legislativo.

“[O presidente] Não entende tratar-se de uma derrota de qualquer que seja o ministro e, em particular, do próprio presidente. É uma decisão soberana daquela Casa e o presidente, democrático que é, aceita in totum”, disse. 
Barros disse, no entanto, que o Palácio do Planalto “não cruzará os braços” sobre o assunto e que a equipe presidencial analisa dois cenários: como fazer com que o órgão federal fique na Justiça ou como adequá-lo para retornar à Economia. A decisão ainda precisa passar pelo plenário.

“O nosso governo não cruza os braços quando se trata de lutar por aquilo que ele acredita. O nosso presidente, junto aos nossos interlocutores, estão analisando as possibilidades para manter a nossa posição ou adequar à posição soberana do Congresso”, afirmou.

Na votação desta quinta, após três dias de sessão, os parlamentares deram 14 votos a favor da mudança e 11 contra. O governo esperava manter o conselho com Moro com ao menos 15 votos na comissão.

Votaram pela mudança representantes de PP, PR, PSD, DEM, MDB, PSDB, PT, PDT e PSB. Dos 14 votos favoráveis ao Coaf na Economia, 9 vieram de partidos da base aliada do governo.

A decisão dos parlamentares foi uma derrota para o ex-juiz da Operação Lava Jato. Nos últimos dias, Moro tem se empenhado em tentar convencer os deputados e senadores a manter o Coaf na Justiça, até o momento sem sucesso.

“Nós conversamos, dialogamos, tentamos explicar. Aparentemente não fomos bem-sucedidos, pelo menos em relação à decisão da comissão”, reconheceu Moro no final da tarde desta quinta.

A votação da comissão especial precisa ainda ser confirmada pelos plenários da Câmara e do Senado. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, passou por cima do acordo feito com oposição, centrão e governo, e decidiu não apreciar a medida provisória em plenário nesta quinta. O prazo para que a MP caduque é 3 de junho.

Criado em 1998, o Coaf é um órgão de inteligência financeira que investiga operações suspeitas.

O Coaf recebe informações de setores que são obrigados por lei a informar transações suspeitas de lavagem de dinheiro, como bancos e corretoras. O conselho analisa amostras desses informes e, se detectar suspeita de crime, encaminha o caso para o Ministério Público.

Durante a crise do mensalão, ofícios do Coaf entregues à CPI dos Correios indicaram, por exemplo, grande volume de saques em espécie por parte da SMPB, empresa de Marcos Valério, o operador que abasteceu o esquema de pagamentos a políticos da base do governo petista.

Mais recentemente, o Coaf identificou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). De acordo com o órgão, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão de janeiro de 2016 ao mesmo mês de 2017 -entraram em sua conta R$ 605 mil e saíram cerca de R$ 600 mil. A quantia foi considerada incompatível com o patrimônio do ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS