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Bolsonaro nega ter ofendido presidente da OAB e pede que STF arquive caso

STELLA
BORGES,  SÃO
PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL)
afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que não imputou crime a
Fernando Santa Cruz ao falar sobre seu desaparecimento durante a
ditadura militar e não teve intenção de ofender a dignidade dele
ou de seu filho, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil),
Felipe Santa Cruz.

 A
manifestação é uma resposta ao pedido protocolado pelo chefe da
OAB no dia 31 de julho. Ele solicitou explicações sobre as
declarações de Bolsonaro relativas ao desaparecimento de
seu pai. No dia 29 daquele mês, o presidente afirmou que se
Santa Cruz quiser saber como o pai dele desapareceu, ele conta.
No
mesmo dia, Bolsonaro insinuou que Fernando teria sido assassinado por
“justiçamento” praticado por militantes de esquerda, e não
por militares.

No entanto, o atestado de óbito diz que ele foi morto
por agentes da ditadura. “Não tive qualquer intenção de
ofender quem quer que seja, muito menos a dignidade do interpelante
ou de seu pai”, afirmou o presidente em resposta ao STF.
“No
tocante à forma pela qual teria ocorrido a morte do pai do
interpelante, limitei-me a expor minha convicção pessoal em função
de conversas que circulavam à época”, acrescentou. Bolsonaro
não era obrigado a responder à interpelação. No dia 1 de agosto,
o ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, deu a ele 15 dias
para responder, se quisesse.

 Representando
o presidente, a AGU (Advocacia Geral da União) pediu que o caso seja
arquivado. O órgão, chefiado por André Mendonça, argumenta que
não houve crime porque as declarações não foram direcionadas ao
pai do presidente da OAB.
“O
interpelado não imputou qualquer crime, nem ato específico de
violência, ao pai do interpelante ou ao próprio requerente, sendo
certo que a característica negativa apontada se dirigiu
especificamente ao grupo e não à pessoa do pai do interpelante”,
diz trecho do documento.

 A
AGU afirmou ainda não haver dúvida de que Fernando integrou o
movimento Ação Popular. “A participação do pai do
interpelante no referido grupo não é passível de maiores dúvidas,
assim como a periculosidade do grupo pode ser verificada em notas
históricas”, complementou.

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