A Prefeitura de Campina Grande informou que deve iniciar, a partir da próxima segunda-feira (19), a instalação de equipamentos para oxigenação das águas do Açude Velho, principal cartão-postal da cidade. A medida tem como objetivo evitar novas mortes de peixes e restabelecer o equilíbrio ambiental do manancial, após a retirada de cerca de 10 toneladas de peixes mortos nos últimos dias.
De acordo com a gestão municipal, estão sendo instalados aeradores, equipamentos responsáveis pela oxigenação mecânica da água, aumentando os níveis de oxigênio dissolvido no reservatório. Atualmente, seis aeradores já estão em Campina Grande, com previsão de funcionamento nos próximos dias. Outros dois equipamentos devem chegar na segunda-feira, totalizando oito aeradores em operação.
O secretário da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), Dogival Vilá, acompanhou uma vistoria técnica no local e explicou que a instalação está sendo realizada em conjunto com a Secretaria de Obras, incluindo a parte elétrica. Segundo ele, o posicionamento dos equipamentos foi definido com base em um estudo de batimetria, realizado no mês de novembro, que avaliou o volume e a profundidade da água do açude.
Além da oxigenação, a Prefeitura informou que a medida também deve contribuir para a redução do mau cheiro, já percebida após as últimas chuvas registradas no município, que auxiliam na renovação natural das águas. A expectativa da gestão é que, nos próximos dias, o açude apresente melhora gradual na qualidade da água e retome seu equilíbrio ambiental.
Fiscalização e medidas estruturais
Paralelamente à instalação dos aeradores, a Prefeitura intensificou a fiscalização ambiental no entorno do Açude Velho. Duas equipes atuam na verificação de possíveis ligações clandestinas de esgoto, descarte irregular de resíduos e outras irregularidades que possam comprometer os canais de águas pluviais que desembocam no reservatório.
Segundo a administração municipal, uma reunião está marcada para a próxima segunda-feira (19), convocada pelo Ministério Público, com a participação de órgãos municipais. No encontro, serão apresentados dados das fiscalizações realizadas em áreas como as avenidas Severino Cruz e Paulo de Frontin, além do entorno completo do açude.
A Prefeitura também informou que está em fase final de elaboração de um estudo de viabilidade técnica para a realização de uma obra de desassoreamento e dragagem do Açude Velho, além da correção definitiva do sistema de esgotamento sanitário da região. A previsão é que o processo licitatório seja lançado ainda no primeiro semestre de 2026, com início das obras no segundo semestre, caso os prazos sejam cumpridos.
Impacto ambiental e conscientização
A gestão municipal destacou que o episódio da mortandade de peixes, embora associado a um fenômeno natural, evidencia a necessidade de maior conscientização ambiental. O descarte irregular de lixo e resíduos nos canais urbanos foi apontado como um dos fatores que agravam o problema, gerando impactos ambientais, riscos à saúde pública e custos elevados ao erário.
De acordo com a Prefeitura, Campina Grande tem um custo mensal aproximado de R$ 1,2 milhão apenas para recolher resíduos descartados de forma irregular.
Considerado um dos principais símbolos da cidade, o Açude Velho é utilizado para atividades esportivas, lazer e convivência social, além de abrigar equipamentos culturais como o Museu dos Três Pandeiros, obra assinada por Oscar Niemeyer. A administração municipal afirma que seguirá acompanhando as ações emergenciais e estruturais para garantir a recuperação ambiental e paisagística do manancial.



