Cagepa contesta Prefeitura e afirma não ser responsável por poluição no Açude Velho

A estatal reagiu às declarações do prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil), que havia atribuído à empresa parte da responsabilidade

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Centenas de peixes mortos aparecem no Açude Velho, em Campina Grande
Foto: Reprodução Redes Sociais

O impasse em torno da crise ambiental no Açude Velho, em Campina Grande, ganhou novos contornos nesta segunda-feira (19) com a divulgação de uma nota oficial da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). A estatal reagiu às declarações do prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil), que havia atribuído à empresa parte da responsabilidade pela degradação do manancial, e negou qualquer falha na sua atuação.

Na avaliação da Cagepa, os problemas ambientais identificados no açude não têm relação com a rede de esgotamento sanitário sob sua gestão, mas sim com ligações clandestinas de esgoto em galerias de águas pluviais e canais de drenagem, estruturas cuja fiscalização, segundo a companhia, é de competência exclusiva do município.

Fiscalização e atribuições

Em sua manifestação, a estatal foi enfática ao afirmar que não possui poder de polícia para atuar sobre redes de drenagem urbana. Conforme a Cagepa, cabe às prefeituras identificar e coibir irregularidades nesse tipo de estrutura.

“A atuação da Companhia ocorre exclusivamente na rede de esgotamento sanitário. A fiscalização de canais e galerias de drenagem é atribuição municipal”, destacou a nota, acrescentando que a empresa está disponível para apoiar tecnicamente sempre que o poder público local identificar a necessidade de ajustes na rede de esgoto.

Desempenho em saneamento

A Cagepa também ressaltou que Campina Grande figura entre os municípios com melhor desempenho em saneamento do Nordeste e do país. De acordo com os dados apresentados, mais de 80% da cidade é atendida por rede de esgoto, com 100% do volume coletado sendo tratado. O resultado coloca o município no topo do ranking regional, conforme levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP).

A empresa reforçou ainda que há rede de esgotamento sanitário operando normalmente no entorno do Açude Velho, o que, segundo a companhia, descarta falhas estruturais sob sua responsabilidade.

Crise ambiental e reunião no Ministério Público

A troca de posicionamentos ocorre após uma reunião no Ministério Público da Paraíba (MPPB), que reuniu Prefeitura, órgãos ambientais e representantes institucionais para discutir ações emergenciais e estruturais diante da mortandade de peixes registrada no açude. Na última semana, mais de dez toneladas de peixes mortos foram retiradas do local, intensificando a pressão pública por respostas e soluções.

Apesar do embate institucional, a Cagepa afirmou que mantém investimentos contínuos em esgotamento sanitário em Campina Grande e reiterou disposição para atuar de forma integrada nas iniciativas voltadas à recuperação do manancial.

Embate político-administrativo

O episódio expõe um conflito de responsabilidades entre a gestão municipal e a estatal, em meio a uma crise ambiental que afeta diretamente o principal cartão-postal da cidade. Enquanto os órgãos discutem atribuições, a expectativa da população é de que as instituições avancem em medidas concretas e coordenadas para restaurar o Açude Velho e evitar novos episódios de degradação.

O caso segue sob acompanhamento do Ministério Público e de entidades ambientais.

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