A confirmação de uma morte por raiva humana em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, levou a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) a reforçar ações de vigilância epidemiológica, com buscas por animais suspeitos e monitoramento de pessoas que tiveram contato com um sagui envolvido no caso. Segundo o órgão estadual, nenhum novo registro da doença foi identificado até o momento.
O paciente estava internado no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC) e teve o óbito confirmado nesta segunda-feira (5). A infecção ocorreu após uma mordida de sagui, registrada em setembro de 2025. Conforme informações da Vigilância em Saúde municipal, o homem não procurou atendimento médico após o contato com o animal silvestre.
Ações de campo e prevenção
Em nota, a SES-PB informou que realizou, em conjunto com a Vigilância Ambiental de Campina Grande, uma busca ativa por animais com sinais neurológicos na área onde o caso foi registrado. Durante a ação, também foi feita a vacinação de cães e gatos da região como medida preventiva.
A secretaria destacou ainda que todas as pessoas que tiveram algum tipo de contato com o animal suspeito foram identificadas e acompanhadas, incluindo situações de mordedura, arranhadura ou contato com saliva.
De acordo com a SES-PB, não houve registro de animais doentes ou mortos relacionados ao episódio. A orientação oficial é que, caso algum animal seja encontrado nessas condições, ele deve ser recolhido e encaminhado a um laboratório de referência para investigação da raiva.
Evolução clínica
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os primeiros sintomas surgiram em 10 de dezembro, e o paciente foi internado três dias depois. O diagnóstico de raiva humana foi confirmado em 22 de dezembro.
Na admissão hospitalar, o homem apresentava confusão mental, agitação física, alteração do nível de consciência, aerofobia, falta de ar e queda na oxigenação do sangue. Com a rápida piora do quadro, houve necessidade de internação em UTI, além de entubação e início de ventilação mecânica invasiva, diante da insuficiência respiratória e da instabilidade neurológica.
Alerta à população
O diretor da Vigilância em Saúde do município, Miguel Dantas, afirmou que o caso evidencia erros comuns cometidos pela população ao lidar com animais silvestres.
“Ele tentou alimentar um animal silvestre e, após a mordida, não procurou o serviço de saúde. Esse atendimento imediato é fundamental, porque o tratamento pós-exposição poderia ter evitado a evolução da doença”, destacou.
As autoridades reforçam que não se deve tocar, alimentar ou tentar resgatar animais silvestres e que qualquer agressão por animal, mesmo que pareça leve, deve ser avaliada imediatamente em uma unidade de saúde, já que a raiva é uma doença grave e de alta letalidade após o início dos sintomas.



