A caderneta de poupança voltou a apresentar saldo negativo em março, com retirada líquida de R$ 11,1 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Banco Central. O movimento ocorre em meio a um cenário de juros elevados e expectativa pelo comportamento da inflação, cujo resultado de março será conhecido nesta sexta-feira (10).
De acordo com o relatório, os brasileiros aplicaram R$ 369,6 bilhões na poupança no mês passado, enquanto os saques somaram R$ 380,7 bilhões. Apesar da saída líquida, os rendimentos creditados nas contas chegaram a R$ 6,3 bilhões, mantendo o saldo total próximo de R$ 1 trilhão.
O resultado reforça uma tendência observada nos últimos anos, em que a poupança tem registrado mais retiradas do que depósitos. Em 2023, as saídas líquidas totalizaram R$ 87,8 bilhões, enquanto em 2024 foram R$ 15,5 bilhões. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a retirada já soma R$ 41,2 bilhões.
Especialistas apontam que um dos principais fatores para esse comportamento é o patamar elevado da Selic, que torna outras aplicações financeiras mais atrativas. Embora o Comitê de Política Monetária tenha iniciado um ciclo de redução dos juros, com corte de 0,25 ponto percentual na última reunião, o cenário externo ainda traz incertezas.
As tensões geopolíticas, especialmente ligadas à guerra no Oriente Médio, podem influenciar as decisões futuras do Banco Central, que não descarta rever o ritmo de queda dos juros caso haja impacto relevante na economia.
A taxa básica é o principal instrumento para controlar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, cuja meta é de 3% ao ano. Em fevereiro, o índice registrou alta de 0,7%, puxado pelos setores de transportes e educação, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%.
O dado mais recente da inflação será divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado é aguardado pelo mercado por já refletir possíveis impactos do cenário internacional recente e poderá influenciar diretamente as próximas decisões sobre a taxa de juros e o comportamento dos investimentos no país.



