Estudantes do curso de medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) realizaram um protesto nesta segunda-feira (9), no campus de João Pessoa. Eles denunciam atraso no calendário acadêmico e superlotação nas atividades de internato. Os alunos afirmam que a situação prolonga o tempo de formação e pode ampliar o período de conclusão do curso.
Os estudantes relatam que o curso de medicina, que possui duração média de seis anos, passou a registrar atrasos desde o período da pandemia. Como consequência, alguns alunos podem permanecer na universidade por até sete anos e meio até concluir a graduação.
O grupo afirma que o atraso também provocou concentração de turmas nas atividades de internato, etapa que corresponde aos dois últimos anos do curso e ocorre em hospitais e unidades de saúde. Segundo os estudantes, locais que deveriam receber cerca de cinco alunos por atendimento chegaram a registrar presença de até 30 estudantes nas mesmas atividades.
Os universitários defendem a atualização do projeto pedagógico do curso para reduzir a carga horária do internato. Uma diretriz curricular nacional publicada em 2025 permite diminuir a participação do internato de 45% para cerca de 35% da carga horária total da graduação, o que representaria redução de aproximadamente 800 a 900 horas.
A proposta elaborada pelo núcleo docente do curso já passou pela coordenação, mas ainda depende de análise de departamentos da área médica para seguir para as próximas etapas administrativas. A Pró-Reitoria de Graduação informou que só pode emitir parecer quando o projeto pedagógico chegar oficialmente à instância após aprovação nos departamentos e conselhos internos.
De acordo com os estudantes, a demora na análise pode agravar a situação no próximo ano. Caso o calendário não seja ajustado, três turmas devem iniciar o internato ao mesmo tempo, o que pode elevar para mais de 180 o número de alunos em atividades práticas simultâneas.
Enquanto a manifestação ocorre no campus, servidores técnico-administrativos da UFPB iniciaram greve nesta segunda-feira. A paralisação cobra mudanças na jornada de trabalho e alterações nas regras de aposentadoria da categoria. A mobilização ocorre em diferentes setores da universidade e pode afetar serviços administrativos durante o período de greve.



