O Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, divulgou nesta quinta-feira (18) um novo boletim clínico sobre o paciente com suspeita de raiva humana, que permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade.
De acordo com o boletim, datado de 18 de dezembro de 2025, turno matutino, o paciente identificado pelas iniciais L.A.L. mantém quadro clínico grave. Nas últimas 12 horas, ele apresentou bradicardia, permanece em sedoanalgesia profunda, com bom controle de espasmos musculares e ainda está em processo de desmame de droga vasoativa.
Segundo a unidade, o paciente aguarda os resultados dos testes de PCR para detecção do vírus da raiva, realizados em amostras de soro, saliva, líquor e folículo piloso. O acompanhamento ocorre conforme as diretrizes do Ministério da Saúde para casos suspeitos de raiva humana, com monitorização contínua e atuação de uma equipe multiprofissional.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que os primeiros sintomas surgiram no dia 10 de dezembro. O paciente foi internado inicialmente no dia 13 e, diante da piora significativa do quadro clínico, transferido para a UTI na segunda-feira (15).
Na admissão hospitalar, o homem apresentava agitação psicomotora, confusão mental, alteração do nível de consciência, aerofobia, falta de ar e queda da oxigenação sanguínea. Diante do quadro de insuficiência respiratória aguda associada à instabilidade neurológica, foi necessária a intubação orotraqueal e o início da ventilação mecânica invasiva.
Há relato de que o paciente teria sido mordido por um sagui, informação que está sendo considerada na investigação epidemiológica.
Após a notificação do caso suspeito, a Diretoria de Vigilância em Saúde e o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) acionaram imediatamente as medidas epidemiológicas e ambientais previstas nos protocolos. As equipes investigam o histórico de exposição a possível animal transmissor, como mordedura, arranhadura ou contato com mucosas, além de buscar identificar o local provável da infecção.
O caso foi registrado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e comunicado oficialmente ao CIEVS Estadual. A secretaria reforça que a raiva humana é uma doença de extrema gravidade e relevância em saúde pública, com ações articuladas entre os níveis municipal, estadual e federal.
A raiva é uma zoonose viral, causada por vírus do gênero Lyssavirus, transmitida principalmente por mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de animais infectados. Quando a infecção humana se torna sintomática, a doença apresenta letalidade próxima de 100%, o que torna essencial a detecção precoce e a profilaxia pós-exposição (PEP).
Na Paraíba, foram registradas duas notificações de raiva humana entre 2007 e 2020. Em 2015, um caso confirmado envolveu uma criança residente na zona rural de Jacaraú. Já em 2020, uma mulher de 68 anos, moradora da zona rural de Riacho dos Cavalos, foi diagnosticada após mordida de raposa. Ambos os casos evoluíram para óbito.
As autoridades de saúde reforçam as seguintes recomendações:
- Evitar contato com animais silvestres e com animais domésticos sem vacinação comprovada;
- Em caso de mordida, arranhadura ou contato com saliva de animal, lavar imediatamente o ferimento com água e sabão e procurar atendimento médico;
- Manter cães e gatos vacinados, conforme o calendário do SUS.
A situação segue sendo monitorada pelas autoridades de saúde, enquanto aguardam os resultados laboratoriais que poderão confirmar ou descartar o diagnóstico de raiva humana.



