O Hospital do Servidor General Edson Ramalho realizou um procedimento inédito no Sistema Único de Saúde (SUS) da Paraíba, ampliando o acesso a tratamentos oncológicos especializados no estado. A iniciativa integra o programa “Paraíba Contra o Câncer”, do Governo da Paraíba, voltado ao fortalecimento da rede pública de saúde.
A técnica aplicada foi a Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC), considerada uma abordagem altamente complexa e especializada. O procedimento combina a cirurgia para retirada de tumores visíveis com a aplicação de quimioterapia aquecida entre 45°C e 50°C diretamente na cavidade abdominal, potencializando a eliminação de células cancerígenas.
De acordo com o superintendente da Fundação Paraibana de Gestão em Saúde, Cícero Ludgero, a realização da técnica representa um avanço nas políticas públicas de saúde. “Esse resultado é fruto de uma estratégia estruturada que fortalece o SUS e reduz desigualdades no acesso ao tratamento”, afirmou.
O secretário de Estado da Saúde, Ari Reis, destacou que o programa estadual tem contribuído para ampliar o acesso a tratamentos especializados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo ele, a iniciativa também vem reduzindo o tempo de espera por procedimentos e expandindo a oferta de serviços em todo o estado.
A técnica HIPEC é indicada principalmente para pacientes com metástase peritoneal, especialmente em casos de tumores mucinosos de apêndice. A cirurgia ocorre em duas etapas: inicialmente, a citorredução, com retirada dos focos visíveis da doença; em seguida, a aplicação da quimioterapia aquecida, com o objetivo de eliminar células microscópicas remanescentes.
Para viabilizar o procedimento, o hospital contou com o apoio de profissionais especializados de outros estados, incluindo o farmacêutico perfusionista Luiz Dourado, que destacou a importância da incorporação da técnica ao SUS. Segundo ele, a iniciativa amplia o acesso a um tratamento com potencial de aumentar a sobrevida e, em alguns casos, proporcionar a cura.
O diretor da unidade, Ramonn Chaves, reforçou que a técnica impacta diretamente no prognóstico dos pacientes, ao permitir a eliminação de microimplantes tumorais que não são visíveis durante a cirurgia.
A paciente Lindomira Mesquita de Oliveira, de 49 anos, residente em Brejo dos Santos, foi submetida ao procedimento e segue em recuperação. Segundo ela, o atendimento recebido na unidade tem sido acolhedor e eficiente, desde o diagnóstico até o pós-operatório.
Criado em abril de 2024, o programa “Paraíba Contra o Câncer” tem como objetivo ampliar o acesso a exames, diagnósticos e tratamentos oncológicos pelo SUS, promovendo a descentralização dos serviços e a redução do tempo de espera. A realização da HIPEC no estado marca um novo avanço na oferta de tratamentos de alta complexidade na rede pública.



