João Pessoa deve criar repúblicas para jovens egressos de instituições de acolhimento

Ação do Ministério Público da Paraíba solicita implantação de duas unidades de república com funcionamento garantido pelo município

Foto: Freepik

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ingressou com uma ação civil pública contra o Município de João Pessoa para que sejam criadas e mantidas em funcionamento duas unidades de acolhimento do tipo república, destinadas a jovens que deixam instituições de acolhimento ao atingir a maioridade e não possuem apoio familiar para retorno ao convívio doméstico.

De acordo com o órgão, a medida busca assegurar condições mínimas de dignidade, incluindo moradia e suporte básico, além de garantir direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Estatuto da Juventude. O MPPB aponta que a ausência desse tipo de serviço contribui para uma situação de desassistência de jovens egressos na capital paraibana.

A ação foi proposta pela promotora de Justiça Fabiana Lobo, da 46ª Promotoria de Justiça de João Pessoa, com atuação na área de Cidadania e Direitos Fundamentais. O processo está em tramitação na 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

Na ação, o MPPB solicita que o município seja obrigado a implantar e colocar em funcionamento duas unidades, sendo uma feminina e outra masculina, com capacidade para até seis jovens cada. O prazo proposto para cumprimento é de até 180 dias, seguindo parâmetros da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais e orientações do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

O MPPB também pede que seja aplicada multa diária em caso de descumprimento da eventual decisão judicial.

Como medida complementar, caso as determinações não sejam cumpridas, o órgão requer o bloqueio de recursos públicos e o sequestro de valores necessários para custear moradia assistida, alimentação e outras despesas básicas dos jovens até o julgamento final da ação.

A ação civil pública é resultado de um procedimento iniciado em agosto de 2018 para apurar o não cumprimento, pelo Município de João Pessoa, de obrigações assumidas desde 2014 relacionadas à criação de repúblicas para jovens egressos de instituições de acolhimento.

Naquele ano, o município havia elaborado o Plano Municipal de Acolhimento Institucional para Crianças, Adolescentes e Jovens, que previa a implantação de duas unidades (uma feminina e outra masculina), com prazo inicial de execução até 2015. A medida também foi vinculada a um termo de adesão firmado com o Governo Federal, que garantiu repasses financeiros por meio do cofinanciamento da assistência social.

Apesar dos recursos recebidos e das metas estabelecidas, o serviço não foi implementado. Em março de 2024, o procedimento instaurado na Promotoria da Criança e do Adolescente foi declinado para a Promotoria com atribuição na defesa da Cidadania, que tentou por diversas vezes resolver o problema de forma consensual. 

Segundo o Ministério Público, mesmo após quase uma década de acompanhamento e tentativas de resolução administrativa, a estrutura de acolhimento para jovens egressos não foi efetivada no município, forçando a instauração de diversos procedimentos administrativos no órgão para acompanhar a efetiva implantação do equipamento.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS